sexta-feira, 7 de julho de 2017

A dança dos encalhados...

Quando estou com a neura, e inevitavelmente com insónias, dá-me para repensar em tudo o que fiz ao longo da minha vida.
 
Ora bem, para o que me havia de dar nesta noite de insónias?
 
Viajar até aos famosos "bailes de garagem".
 
E para que os jovens não pensem que o pessoal da minha geração é uma cambada de "cotas" que não "curtiam" nada, pois fiquem a saber que aproveitávamos bem esses bailes.
 
Principalmente na altura dos "slows". Nessa altura era um "ver se te avias".
 
E tínhamos as nossas músicas dos "amassos". Uma das mais famosas era "Angie" dos Rollings Stones. Mas havia outras: "Sharing the nigt togheter"; "Avalon" e tantas, tantas outras....

Músicas que os rapazolas não descuravam para tirar "uns troços".
 
Mas são inúmeras as músicas que me transportam para aquelas tardes e noites de sábado na garagem de um dos amigos.
 
Juntos tínhamos decorado a garagem como "mandava a lei"...

Panos pretos a revestir as paredes enegrecidas pelo tubo de escape do Ford Capri do pai, a bola de cristal que girava graças a uma engenhoca elaborada pelo meu melhor amigo de então.
 
Dois gira-discos e umas colunas espalhadas pelos quatro cantos daqueles 50 m2, e muita vontade de conviver, de conversar, de dançar...
 
Trocavam-se entradas por uma multa que ia desde levar um disco importado até uma bebida.
 
Sou daquelas pessoas que é capaz de estar horas seguidas a dançar.
 
Antes de me casar não havia fim-de-semana em que não desse o "gosto ao pé".
 
Infelizmente o meu marido não está pelos ajustes. Não gosta de dançar e nunca dançámos  juntos desde que estamos casados (e olhem que já vão trinta anos).
 
 
 
Quem sabe, quando ele for velhinho e não se aguente das pernas ele se agarre a mim e eu aproveito e coloco uma música bem romântica.
 
Pois, Ni, fia-te na "virgem a correr de sapatilhas"... Agarra mas é numa vassoura que dá o mesmo efeito. Ou como se dizia no século passado, tens sempre a "dança dos encalhados".
 
 
 
A música que acompanha este post? Pode ser esta (e, sim, ainda tenho o single).
 
Mi madre... as vezes que eu dancei esta música...
 
 
 
 

6 comentários:

Ricardo Santos disse...

Ni exactamente não há melhor descrição. No início o gira-discos tinha somente um altifalante que era a sua própria tampa. E lá vinham os Bee Gees e os "slows" era uma alegria todas agarradinhos e juntinhos, sem nos mexermos muito, para saborear :)).
Para os fazermos as nossas mães às vezes tinham de falar com as mães das meninas para as deixarem ir aos bailaricos de garagem.

Eles hoje sabem lá o que é isso ! Vive-se tudo a correr, aos 15 já viveram coisas que nós somente vivíamos aos 25 ou mais tarde !

Não sou fã do Lionel Ritchi, mas gosto de ouvir esta música !

NI disse...

Sabes Ricardo, acho que nos acabámos por aproveitar melhor a vida. Apesar de toda a dificuldade. Bjs

Clementina disse...

Saudades?
Ontem também estive com a neura, confesso. :) Há dias assim.

NI disse...

Saudades? Detesto ter saudades.
É feio dizer isto mas...ainda bem que não sou a única a ter neuras. Já começava a pensar que era esquisita. Quem tento enganar...sou esquisita! :)

Francisco o Pensador disse...

Nunca fui a uma festa de garagem, mas guardo boas recordações de algumas garagens que frequentei à noite na minha adolescência... :))

NI disse...

Francisco, nem sabes o que perdeste...

:)

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