terça-feira, 30 de março de 2010

A verdade...


"A vida humana acontece só uma vez, e não poderemos jamais verificar qual seria a boa ou a má decisão, porque, em todas as situações, só podemos decidir uma vez. Não nos são dadas uma primeira, segunda, terceira ou quarta chance para que possamos comparar decisões diferentes"

Milan Kundera


Já tomei más decisões. Sou impulsiva por natureza pelo que o contrário é que seria estranho.

É muito bonito dizer-se: "não me arrependo de nenhuma decisão que tomei até hoje. Se fosse hoje tomava a mesma atitude".

Sem qualquer tipo de problema ou reserva mental, assumo que me arrependo de algumas das decisões que tomei, independentemente da "lição" que aprendi com cada uma delas.

Algumas delas não me ajudaram a crescer enquanto ser humano. Apenas fizeram sofrer.

É que, a irreflexão ou imprudência não é desculpa quando se magoa alguém.

Mas, se a imprudência não é desculpa, muito menos é quando intencionalmente se actua com o único propósito magoar outra pessoa. Porque saímos do campo da imprudência para o campo do intencional, do deliberado.

Vem tudo isto a propósito do tema de hoje: a verdade.

Há muitas formas de dizer o que pensámos a alguém. E não a podemos transmitir de igual forma a qualquer um. Nem todos a processam da mesma forma. Até porque, a nossa verdade pode não ser a verdade dos outros.

Utilizarmos a verdade como meio para magoar ou humilhar é um acto covarde.

Dizer a verdade é uma forma de ajudar ou, como diria Miguel Cervantes, " A verdade alivia mais do que magoa."

Ou, como diria S. Tomás de Aquino, " Não há ocasião que permita fazer o mal para que resulte alguma coisa boa.

4 comentários:

Eu Mesma! disse...

eu ja tomei mas decisoes e boas decisoes... mas como tudo na vida... temos que encontrar um equilibrio :)

LBJ disse...

Dizes e provavelmente com razão que utilizar a verdade para magoar é covardia e a que chamas utilizar a mentira?

NI disse...

Eu Mesma, o que por vezes é difícil.

LBJ, há poucas semanas falámos aqui sobre a mentira, mais concretamente sobre se a omissão era uma forma de mentir e em que condições admitíamos omitir alguma coisa. Confessei, então que já omiti algumas coisas de forma a evitar problemas sérios. Dou um exemplo: certo dia descobri que o marido de uma colega tinha uma amante. Durante algumas horas deparei-me com o dilema de lhe contar ou omitir. Tentei colocar-me na situação dela. Eu gostaria de saber pelo meu marido porque é com ele que partilho uma vida, em quem confio e por quem nutro respeito e lealdade. Sentir-me-ia bastante mal (já sem falar da situação em si), se viesse a saber por terceiras pessoas. Perante esta minha análise decidi falar com o marido da minha colega e dizer-lhe que aguardava que ele tivesse uma conversa com ela porque era o que ela merecia, no mínimo. Caso não o fizesse teria que ser eu a falar. Soube que ele falou porque a minha colega me disse mas ela nunca soube que eu já sabia. Penso que não contribuia em nada ela saber que eu tinha tido conhecimento dos factos antes dela. Admito que a minha conduta tenha sido errada. Mas foi a minha opção, ponderada e assumida.

Como classificaria a minha omissão? Como uma covardia? Penso que não mas admito que outros considerem. Quanto à mentira pura e simples, não tenho qualificação (pelo menos uma minimamente educada).

:)

Miguel disse...

Por muito que a verdade seja cruel, a mentira magoa muito mais...

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Porque não defendo:guetos, delatores pidescos, fundamentalismos e desobediência civil. Porque defendo o bom senso