quinta-feira, 25 de março de 2010

Amor incondicional ou egoísmo?


Anna foi concebida com um objectivo: salvar a irmã Kate que lutava contra uma leucemia.


Durante 13 anos Anna não foi criança. Foi submetida a inúmeras cirurgias e transfusões para que Kate pudesse lutar contra a doença de que padecia desde a infância.


Mas Anna começa a rebelar-se contra a situação e ganha uma apoiante. A sua irmã Kate. Os pais, principalmente a mãe, é que não aceitam e acusam Anna de ser egoísta.


Este é, em síntese, o argumento do filme “Para a Minha Irmã”que já vi uma série de vezes e que me impressiona sempre que o vejo.


Tento retirar dos diálogos e dos olhos dos personagens a resposta para uma questão que me apoquenta: até que ponto será legítimo utilizar um filho para salvar outro. Será que o amor por um filho justifica tudo? Mesmo destruindo outro filho?


A resposta não é fácil. Tenho duas filhas. Amo cada uma delas de forma incondicional. Não amo mais uma do que outra. Mas, necessariamente, amo cada uma delas de maneira diferente porque elas são diferentes e o meu amor por elas não pode ser transmitido da mesma forma.


Até que ponto poderia sacrificar uma filha para salvar a outra. Não tenho resposta. Mas tenho a certeza que não conseguiria destruiria uma para salvar outra.


24 comentários:

najla disse...

Sim....essa certeza também eu tenho!

leitanita disse...

Não consigo imaginar tal situação talvez porque não passei por nada tão dramático.
Mas o que eu adorei foi a mensagem final e o amor e a cumplicidade das 2 irmãs.

Rui da Bica disse...

Mas que situação tão cruel !
Mesmo que a concepção fosse ocasional, já seria de muito difícil decisão sacrificar uma em função da outra, mas terrível é imaginar a concepção simplesmente para essa finalidade.
A não ser que fosse o caso de simplesmente utilizar o cordão umbilical...
.

Miguel disse...

Mas o Amor é para sempre?

Se é incondicional...

Agora fiquei na duvida...

;)

(gajo chato!)

NI disse...

najla, é uma situação complicada.

leitanita, penso que o amor e a cumplicidade entre as duas é visível durante todo o filme, sendo certo que a imagem final é arrebatadora.

Rui, penso que é cruel alguém transmitir a uma criança que só nasceu para servir de "cura". As crianças precisam de saber que nasceram por um acto de amor e não com um objectivo. Faz-me lembrar aquelas mães que afirmam à frente do filho que só casaram porque estavam grávidas. Uma criança ouvir isto cria a sensação de que por causa dela a mãe está a viver um "fardo". É horrível.

Miguel, meu querido gajo chato, o amor pelos filhos deve ser incondicional e para sempre. O amor entre duas pessoas adultas? Não necessáriamente, ahahahahahahah

Bjs a todos

Miguel disse...

Ni,

Mas porque é que tens de"ahahahah..." sempre que me respndes?

E depois, voltamos ao mesmo!
Amor é Amor. Como Amizade é Amizade e como Canalhice é Canalhice.

Não há essas coisas tipo A e tipo B.

O que há são relações entre as pessoas e dentro das relações existem vários sentimentos que se conjugam.
Eexmplo:
Numa relação entre dois adultos pode haver Amor e haver ou não Sexo. Ambas as situações são normais e acontecem à tua volta (como à minha).
Numa relação entre um adulto e uma criança já é normal que possa haver Amor e (pelo menos a mim) não é normal que haja Sexo.
O Amor, num caso e no outro, na situação entre adultos e na situação entre adultos e crianças, quer dizer a mesma coisa. O que difere a relação são outras coisas que se conjugam dentro da relação.

Eu separei-me da mãe dos meus filhos há 3 anos (um pouco mais). Como deves saber, Amava-a e o meu sonho era ficarmos juntos para sempre. Depois disso conheci alguém que amei e com quem senti a mesma coisa. Sei que a Amaria para sempre. Talvez mais ainda do que aconteceu com a mãe dos meus filhos.
Hoje, que já passaram mais de 3 anos sobre o fim da relação com a mãe dos meus filhos, e quase um ano sobre o fim da relação com a outra pessoa, e o que eu sinto é que, em qualquer dos casos, eu as amaria para sempre.

É engraçado até porque se não tem havido o fim da primeira relação, nunca aconteceria a segunda...

De qualquer maneira, uma relação não tem obrigatoriamente de chegar ao Amor. Eu até acho que a maioria não chega, ainda que toda a gente diga que ama toda a gente! Mas uma coisa é o que se fala, outra é o que acontece... E nem sequer estou a dizer que as pessoas enganem so outros de proposito. Em muitos casos, talvez a maioria mesmo, as pessoas dizem convictamente que amam porque é isso que acham...

Enfim, tenho de acabar aquele post que te falei (e ao Sadeek) sobre o Amor para explicar isto melhor. Mas é complexo, eu sei (por isso é que ainda não o dei por acabado!)

Beijinho (ahahahahahahahahahaha) :o

NI disse...

Miguel, escrevo "ahahahahaha" porque estou a dar uma gargalhada enquanto te respondo porque já antevejo o que vais escrever a seguir (cá para nós, adoro pegar-me contigo).

Entendo o que queres dizer mas não concordo. Tu acreditas no Amor pura e simples. Como afecto único e universal, incondicional e imutável. Eu acredito que o amor pode assumir diversas formas e, nalgumas delas, pode não ser imutável e/ou incondicional.

Beijo

Miguel disse...

Ni,

Eu não Amo mais nem a minha ex-mulher, nem a outra pessoa, logo não digo que o Amor seja imutável no sentido que lhe estás a dar.

O que digo é que eu amei a minha ex-mulher 16 anos (15 e tal, vá, que não se começa uma relação logo a amar...) e tenho a convicção que a amaria o resto da vida toda.

Ela era a unica mulher do mundo para mim. O resto eram pessoas. Não sei se me faço entender.

Ela acabou o relacionamento e foi à vida dela e eu fui à minha.
Conheci e andei com outras pessoas até encontrar outra mulher que amei. E sei isso porque o que senti foi do género do que sentia com a minha mulher. Sei que a amaria para sempre.
Mas já não a amo mais. Aliás, hoje leio algumas coisas que escrevi sobre ela e não consigo deixar de pensar "que tóto"! Não lhe quero mal... No fundo, não lhe quero coisa nenhuma, agora.

Eu acredito que existe uma escala de sentimentos e que o topo dessa escala é o Amor. Não há nada acima disso.

Imagina que, o "destino", resolvia as divergências de base que existem entre mim e a minha ex-mulher, que são muitas. Dessa resolução, e até porque temos os filhos em comum, havia uma aproximação e começavamos a andar. Eu sei que iria ama-la outra vez. E acho que isso aconteceria rapidinho. Porquê? Porque o Amor que eu tinha por ela ficou cá "compactado", guardado, adormecido, sei lá.
É por isso que eu digo que não morre nunca. Pode deixar de fazer o efeito que fazia mas fica cá em "standby".

Sobre as diversas formas, não acredito nisso assim, como as colocas. Não há diversas formas de amizade.
Tu sabes definir quem são os teus amigos, ou não?
Não destingues diversos graus de amizade?
Tens as pessoas que passam por ti, as que conheces, os amigos e, acredito, uns amigos especiais (a quem podes fazer confidências, por exemplo). Isto não são tudo amizades, se bem que muitas vezes fales de "amigos" e englobes muita gente que na realidade é só conhecido...

No amor é a mesma coisa.
Se andas (não tu mas no geral) com alguém, já é amor... E não é assim. Pode ser ou pode não ser.
Entendes?

Um dos problemas que existe hoje é que o Amor (como a amizade no outro exemplo) encaixa em todo o lado.
Quantas vezes pensas que um amigo teu te desiludiu a valer? Mas era mesmo teu amigo? Ou pensavas que era? Como no amor! A mesma coisa!

Poucas pessoas chegam ao patamar do Amigo, tal como poucas pessoas chegam ao patamar do Amor. Alguns passarão pela vida e nunca lá chegarão porque não têm essa capacidade porque são valores que se aprendem cedo na vida.
Tu despes a tua camisola (não só quando apanhas molhas, acredito) por determinada pessoa. E ela? Despe por ti? Saberá o que é isso. deixará de fazer algo importante para ela por outra pessoa?

Pessoas assim, NI, são rarissimas de encontrar. Rarissimas.

Hoje o que interessa é o momento. Vivemos na era do imediatismo! O resto? Logo se vê...

(ahahahahahahahahahahahahahahahahah)

Lena disse...

Não vi o filme, mas a situação em si é terrível.
Também eu tenho dois filhos, completamente diferentes, que amo acima de tudo.
Não consigo imaginar-me na situação retratada, e consequentemente não consigo responder à questão posta.

NI disse...

Miguel, isso é injusto. Tenho lá capacidade neste momento para te responder. :)

Ora muito bem, então achas que o Amor entra em hibernação. Eu acredito que o amor pode acabar.

Não acredito em diversas formas de amizade.

Acredito no amor (que assume diversas formas, fraternal, maternal,), na amizade (outra forma de amar)e no conhecimento.

Amigos? Tenho duas amigas e um amigo. Conhecidos? Tenho centenas. Responde à tua questão?

Nunca encarei a amizade como uma obrigação ou um sacrifício. Se um(a) amigo(a) já me desiludiu? Já. Mas desde que não constitua uma falta de respeito ou deslealdade não relevo. Por vezes são os amigos que mais nos magoam mas, conforme já o afirmaste noutro post, temos tendência para magoar aqueles de quem mais gostámos.

E vejo que continuas a pensar no post da "molha", ahahahahahahah

NI disse...

Lena, a situação é terrível e nunca passarei por uma situação semelhante pelo simples facto de que já não posso ter mais filhos.

Mas sei que nunca sacrificaria um filho para salvar outro.

TM disse...

Por curiosidade... leste o livro? É a mesma história... o mesmo dilema... mas com um final diferente...

Mas voltando ao assunto em questão... eu não sou mãe... não posso falar com certezas de um sentimento que não conheço (ainda)...
Mas a verdade é que também concordo contigo... não consigo compreender como alguém pode lutar tanto por um filho que se "esquece" do outro...
Mas (sim outro mas), nunca podemos dizer nunca... e como poderemos nós julgar que nunca vamos cometer loucuras por aqueles que amamos?

Sadeek disse...

Situação demasiado dramática para pensar sequer nisso...

BEIJOOOOOOOOOOO

NI disse...

TM, não li o livro e desconhecia que tinha um final diferente (mas acho o final do filme lindíssimo).

Concordo com o teu último parágrafo na medida em que quando se trata de afectos ninguém é igual. Todos nós perante uma mesma situação podemos ter reacções completamente antagónicas. Mais, ainda, nós próprios perante duas situações iguais podemos ter reacções diferentes dependendo do nosso estado de espírito. É por isso que não julgo ninguém nem nunca afirmo "desta água não beberei".

Miguel disse...

Então, Ni?

A amizade só tem uma forma e o Amor várias? Qual é a logica disso?

Não estarás com 2 peses e 2 medidas para conceitos similares?

Pensa lá um pouco comigo.
Esquece o sexo. Imagina que isso não existe (faz esse exercicio HORRIVEL).
Agora que tiraste o sexo da relação que tens com o teu marido (e partindo do principio que o amas) diz-me: o que sentes em relação a ele que não sentes em relação aos teus filhos e o que sentes em relação aos teus filhos que não sentes em relação ao teu marido...

Essa vontade de ajudar, de proteger, de mimar, de estar proximo, de partilha, sei lá, essas mariquices todas... É tudo igual!
É isso, esse conjunto de vontades todas juntas, que dizem que tu Amas essa pessoa, esse ser.
Ninguém te pergunta se é mulher, se é homem, se é velho ou novo, gordo ou magro, alto ou baixo, preto, azul, vermelho , verde, branco ou cor-de-rosa... Entendes?

A amizade não é uma obrigação, como o amor também não.

Se existe alguma obrigação é em ser verdadeiro e respeitar os outros. Perceber que o que nos magoa também magoa os outros.

Magoamos mais os amigos e eles magoam-nos a nós porque as expectativas são maiores aqui, logo há mais hipoteses de desilusões... De um lado e do outro, claro!

O post da "molha" foi o primeiro que li teu. Já nem me lembro como vim aqui parar.
Mas lembro-me desse e lembro-me doutros...

:p

Relê o que escrevi no post dos teus anos...

Miguel disse...

Discordo desse mito em toda a linha!

As pessoas são muito parecidas e encaixam em comportamentos padrão.
Basta olhares à tua volta, pessoas que conheces, e verás isso com toda a facilidade.
Até porque, Ni, não há assim tantas escolhas a seguir.

De certeza que à tua volta tens pessoas que são, em determinados assuntos (e falo sempre de assuntos individuais), muito parecidas contigo. Outras são diferentes. Mas nessas diferentes serás capaz de as dividir em 2 ou 3 tipos distintos.

E será possivel fazeres este exercicio para todos os assuntos, individualmente.

Claro, no final, o resultado de cada pessoa será diferente de todas as outras porque a "chave" final será diferente entre todos.

Neste contexto, sim, somos todos diferentes.
Individualmente, em cada item (digamos assim), não. Isso é uma daquelas frases feitas que cabem bem sempre que nos dá jeito e que justificam muita coisa quando não queremos pensar (seja porque nem dá jeito, seja porque não o fazemos mesmo).

Toma lá mais "esta"!

:)

NI disse...

Miguel, para mim a amizade é uma forma de amar. Não penso que esteja a utilizar dois pesos e duas medidas.

Continuo a pensar que o amor pode assumir diversas formas.

Quanto a esquecer o sexo, não estarás a pedir demais? Ahahahahahahah

Nota - geralmente as pessoas vêm cá parar sem saber como. :)

Miguel disse...

Até à amizade ser uma forma de Amor... ainda vou. Mas ao contrário.

Voltamos ao mesmo.

O Amor é o sentimento do topo.
Talvez abaixo disso seja a amizade.

Continuas a pensar que o amor pode assumir diversas formas?
Porque sim?
Porque o mundo era quadrado há não sei quantos anos?
Defendes isso porquê, como?
Que argumentos dás?

E em relação às questões que te deixei, dizes o quê?

Ou queres que que aceite que pensas assim e pronto? És, como toda a gente, livre de pensar como entenderes. Não percebo é em que te baseias para pensar assim, pois nem dás argumentos, nem desfases os meus.
E eu chegando ao fim da minha capacidade de te explicar com exemplos e palavras novas... fica complicado rebater o teu "porque sim"!

De qualquer maneira, e penso que isto é que é realmente importante, acho que, mais dia menos dia, vais deslocar a mandibula a rir dessa maneira...

Depois não digas que não te avisei!

;)

Miguel disse...

(mas tu achas que eu esqueço o sexo?)

Rui da Bica disse...

Eu acho que se está a discutir outra coisa, que não o cerne da questão.
Será legítimo ou não procriar um "medicamento" (porventura descartável)em vez de um filho ???
.

NI disse...

Miguel, para a próxima vez que o chefe me pergunte porque dou gargalhadas mando-o ter contigo. Tens a capacidade única de me colocar no lugar com humor. Só conheço outra pessoa assim. Aprecio isso e dá-me um gozo desgraçado contrariar-vos.

Vamos lá.

Miguel, consegues definir o que é o Amor? Eu não. E não é porque sim. É porque não consigo (ou não sei, se assim o preferires).

Uma vez alguém disse neste espaço que falar de afectos era aborrecido. Não sei se será aborrecido (para mim não é), mas é, definitivamente difícil.

Recordo-me da longa "batalha verbal argumentativa" entre mim e o Pensador sobre este tema.

Não sei definir o Amor, nem sei definir a Amizade. Apenas sei o que sinto e a percepção que eu tenho face aos afectos.

Sei que se tiver que dar a minha vida por uma das minhas filhas, dou sem pensar duas vezes.

Se tiver que dar a minha vida por uma das minhas irmãs, não sei se darei. Só vivendo a situação.

Mas amo as minhas irmãs. Ou achas que só gosto delas, "assim, assim"? Ou que elas para mim são apenas conhecidas?

Estamos aqui perante um amor diferente, ou não?

Sempre disse e reafirmo: o mundo dos afectos é algo cinzento. Não há verdades absolutas. Não há definições possíveis.

Pode haver um ou outro que consegue dar uma definição de amor e/ou amizade com a qual me posso identificar mais. Mas não consigo racionalizar por completo e dar uma definição que satisfaça.

NI disse...

Rui, eu e o Miguel gostámos de desestabilizar. :)

Mas a forma como pegas no tema é interessante. Será que os pais estão a procriar um filho, ou um "medicamento"? Nem quero imaginar a segunda hipótese.

Miguel disse...

Eu acho compreensivel que os pais façam tudo para salvar um filho.

E, de todo, não acredito que sacrifiquem um em favor do outro.

Refiro-me, obviamente, a pessoas normais...

Se isso vos acontecesse, não faziam nada? Será que não fariam o mesmo? Será que, sequer, vos passavam essas questões pela cabeça?

Não me parece...

(e agora vamos lá destibilizar mais um bocadinho...)

NI disse...

Miguel, se eu para salvar um filho necessitasse de ter outro filho, claro que tinha.

Como é lógico, a situação retratada no filme é levada ao limite. Isto é, a filha que nasceu não é vista pelos pais como uma filha mas como o "meio" de salvar a irmã. Há um diálogo entre a mãe e Anna em que esta diz que está cansada de dar sangue e a mãe acusa-a de ser egoísta, de apenas pensar nela. Mas, na verdade, para quem assiste ao desenrolar do argumento a Anna nunca pode pensar nela porque primeiro estava a irmã.

Conheço pessoalmente um casal que engravidou para tentar salvar outro filho. Felizmente conseguiram. Mas sempre trataram ambos os filhos com o mesmo carinho. Aliás, a mãe (que sempre disse que só queria ter um filho)costuma dizer que a doença do primeiro filho acabou por ser positiva porque não se consegue imaginar sem o segundo filho. E entendo que tem mesmo que ser assim. Ambos são filhos.

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