quinta-feira, 5 de maio de 2011

A concha...




“Era uma vez um diamante que vivia no mundo a brilhar intensamente. Brilhava muito, mas não desejava com isso ofuscar o brilho dos outros seres... Dizem, no entanto, que luz demais cega aqueles que estão acostumados à escuridão. E foi isso que aconteceu: as pessoas ficaram cegas e pisaram tanto no diamante, que ele se reduziu a pó. Porém, restou dele um pedacinho maior, do tamanho de um grão de areia. Esse grãozinho de areia resolveu, então, esconder-se dentro de uma concha, a fim de proteger-se. Ficou ali durante anos, séculos talvez. Até perdeu a noção de tempo! Mas não perdeu a noção de si mesmo. Cresceu e transformou-se! Já não brilhava tanto. E não desejava mostrar seu brilho ao mundo. Quem desejasse vê-lo teria que esforçar-se para abrir a sua concha...”.


Textos extraídos do livro "PROVÉRBIOS - A SABEDORIA DO POVO" - Salvador, Bahia, Brazil


De há um ano a esta parte que almoço sozinha. Hoje, enquanto tomava um café, uma colega aproximou-se e perguntou-me quando é que eu saía da "concha". Respondi prontamente que estou muito bem como estou.

Há uns tempos atrás escrevi que a minha preocupação face ao que aconteceu em Março de 2010 era saber até que ponto eu era responsável por tudo o que me aconteceu.

Disse, então, que vida demonstra-nos que muitas coisas acontecem só porque têm de acontecer. Independentemente de contribuirmos, ou não, para um determinado resultado, sendo certo que contra mim militava o facto de me entregar por inteira a tudo o que fazia, vivia e sentia.

Apesar de não me envergonhar do facto de viver de forma intensa os meus afectos e as minhas emoções, por ser a essência daquilo que sou e por ser o que me individualiza enquanto ser humano, não é menos verdade que se impunha uma mudança. Viver os afectos e as emoções de forma intensa não pode ser sinónimo de "masoquismo".

Assim, alterei a minha forma de estar no local de trabalho. Continuo a dar o meu profissionalismo e a experiência acumulada ao longo de mais de 25 anos de actividade. Estou sempre disponível para colaborar com todos e para apoiar um colega que necessite. Mas a minha relação com eles termina onde as relações pessoais começam.

Foi mais ao menos isto que tentei explicar a essa colega. Ela respondeu-me que mais tarde ou mais cedo voltaria a ser a pessoa que todos eles sempre conheceram. Que voltariam a ver os meus olhos a brilhar. Respondi, uma vez mais, que não.

Fiz uma opção consciente. A minha concha está fechada e protege-me bem das marés.



E, por falar em concha, deixo-vos com um dos temas que mais gosto de ouvir...



4 comentários:

Miguel disse...

E gostas do novo "tu"?

NI disse...

Nem por isso. Mas tem que ser.

Não aguentaria um novo Março de 2010.


:)

Francisco o Pensador disse...

Se observares bem a fisionomia das conchas, verás que elas nunca ficam inteiramente fechadas. Há sempre uma brecha pequenina que permanece aberta para a vida e para o mundo...
Não penses que já vivestes tudo Nina.
Há sempre algures no mundo, uma caixinha de surpresas por abrir e aposto que uma delas tem lá o teu nome inscrito... :)

NI disse...

Gostava de acreditar. Mas...

:)

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