sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

54 ou 45...


Hoje uma das minhas melhores amigas faz 54 anos.

Daqui a pouco mais de um mês farei 45.


Há pouco telefonei para lhe dar os parabéns. Contava que ela estivesse meia "chorona" como sempre costuma estar quando faz anos.

Ao fim de dez minutos ríamos as duas que nem uma doidas com as parvoíces que fomos dizendo a propósito da idade.


A certo momento, exclama ela "Ni, já pensaste que entramos na segunda metade da vida"?
Como resposta dei uma gargalhada mas interiormente pensei que ambas estávamos, de facto, na segunda metade da vida. Aliás, se colocarmos 45 em frente a um espelho dá 54..., e veio à minha memória uma frase de Arthur Schopenhauer cujo sentido era mais ao menos este: na segunda metade da vida o ser humano apenas procura tranquilidade e a maior ausência de dor possível.

Quando cheguei ao gabinete tentei encontrar na net um extracto do livro de
Schopenhauer. E encontrei. Diz assim:

"O que torna infeliz a primeira metade da vida, que apresenta tantas vantagens em relação à segunda, é a busca da felicidade, com base no firme pressuposto de que esta deva ser encontrável na vida: o resultado são esperanças e insatisfações continuamente frustradas. Visualizamos imagens enganosas de uma felicidade sonhada e indeterminada, entre figuras escolhidas por capricho, e procuramos em vão o seu arquétipo.

Na segunda metade da vida, a preocupação com a infelicidade toma o lugar da aspiração sempre insatisfeita à felicidade; no entanto, encontrar um remédio para tal problema é objectivamente possível. De facto, a essa altura já estamos finalmente curados do pressuposto há pouco mencionado e buscamos apenas tranquilidade e a maior ausência de dor possível, o que pode ocasionar um estado consideravelmente mais satisfatório do que o primeiro, visto que ele deseja algo atingível, e que prevalece sobre as privações que caracterizam a segunda metade da vida. "

Arthur Schopenhauer, in "A Arte de Ser Feliz"

Apesar de tudo, penso que a idade está na forma como encarámos os desafios da vida. Nessa perspectiva, não tenho qualquer dúvida que eu e a minha amiga temos à volta de trinta anos com o equilíbrio que a experiência e a serenidade que mais alguns anos em cima nos transmite...

7 comentários:

Eu Mesma! disse...

sim...
o ser feliz é mesmo uma arte :)

Sadeek disse...

Não interessa Ni o quanto se vive. Mas sim a forma que se vive. Acima de tudo isto. E visto desta perspectiva parece-me que a minha amiga tem tido uma boa passagem cá pelo mundo terreno, não é verdade? :D

BEIJOOOOOOOOOOO

Abobrinha disse...

Curiosamente ainda hoje falava com uma amiga sobre a idade e hei-de fazer um post sobre isso... quando me passar a preguiça! Uma das coisas que me ocorreu foi a surpresa de descobrir que a Rosa Lobato Faria tinha 77 anos... pensava que tinha muito menos! E olha que realizou grandes sonhos já muito tarde, ou seja: foi feliz!

E Sadeek, temos que combinar o nosso cafezinho antes de fazermos 90 anos!

só uma mulher disse...

NI,

A idade é um estado de espírito.. o importante quanto a mim, é sermos felizes no nosso dia-a-dia, vivermos o melhor que conseguirmos.. e isso NI, independentemente da nossa idade, não é fácil..

1 beijinho

Sadeek disse...

Temos pois Abobrinha. Não vá rolar um clima e depois com essa idade já me faltam as forças...AHHAHA

XUACCCCCCCCCCCCC

Rui da Bica disse...

Ni. Em vez do espelho, bastará rodar 180 graus as 2 velinhas e o bolo ! O mesmo bolo e as mesmas velas servem para as duas. :))
.

Miguel disse...

Há quem seja feliz a vida toda, até com muito pouco, e quem seja infeliz sempre, com bastante.

A felicidade resulta da relação que cada um faz entre as expectativas de vida (eventualmente os sonhos) e a realidade que acontece...
Se as expectativas e a realidade andam próximo é natural que sejas feliz. Se andam longe, é dificil isso acontecer...

Tem tudo a ver com a tua cabeça.

E, sendo feliz, a tua idade emocional é sempre inferior ao que diz o BI. É facil de perceber isso...

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Porque não defendo:guetos, delatores pidescos, fundamentalismos e desobediência civil. Porque defendo o bom senso