quarta-feira, 4 de abril de 2012

Esquecer quem é vivo...


"O NUNCA MAIS de não ter quem se ama torna-se tão irremediável

quanto não ter NUNCA MAIS de se ter quem morreu.

E dói mais fundo - porque se poderia ter,já que está vivo(a),

mas não se tem, nem se terá..."


Caio Fernando de Abreu

E para vocês? O que custa mais? Esquecer quem morreu ou "enterrar" alguém que está vivo?


Ou melhor, será que é possível esquecer?


A morte é a sequência natural da vida. Aprendemos a conviver desde cedo com esta regra da vida.


E a desilusão? Será que o ser humano está preparado?


Ou limitámo-nos a confiar na sucessão dos dias e os seus efeitos na memória?


Será que a nossa memória afectiva consegue transformar num simples borrão alguém que é (foi e/ou será sempre) importante para nós? Um borrão que nos impede de acariciar aquelas linhas de rosto que sabíamos de cor? De olhar no olhar? Da cumplicidade de um simples sorriso?


A vida tem-me ensinado que a pior coisa que podemos fazer é tentar esquecer alguém porque a sensação de perda pode-se esbater mas nunca desaparece. Porque não se pode fazer o "luto" por aguém que está vivo.


A senhora que hoje estou a ouvir é esta porque interpreta uma da minhas músicas favoritas.


Nota - Tenho andado um pouco fugidia mas como estou em casa sozinha de "férias forçadas", (fui obrigada a gozar os dias que tinha do ano passado), tenho aproveitado para ler, vir música e ver filmes baseados na obra de Jane Austen (ok, confesso, tenho visto todos os dias "orgulho e preconceito").


8 comentários:

Confuskos disse...

"(...) ler, vir música e ver filmes" - andas a "vir" resmas de música?? :P

Voltando ao post...
Nós nem os mortos esquecemos, menos ainda os vivos!

Tentar esquecer, também me parece inútil, beber para esquecer, mais inútil ainda! Há que tentar ultrapassar aquele "período de luto", que sinceramente ás vezes é quando as "coisas" voltam a reatar, quer seja amizade, quer seja outra coisa qualquer e depois recordar as boas recordações com um sorriso saudável e tentar lembrar das conclusão que tirámos ao recordar as más.

A desilusão faz parte da vida e a culpa é nossa que nos iludimos.

Sinto que também já estive do outro lado e já desiludi as pessoas e por vezes quando termina aquele período em que alguém foi importante na nossa vida, dela fez parte, se para nós ficou um sentimento mau (se não, este período não terminava) do outro lado pode ter ficado o sentimento de desilusão e eu, naquilo que me diz respeito, fiquei impávido e sem reacção... se por um lado não podemos consolar alguém que desiludimos, também não nos devemos deixar consumir pela sensação que fica de "eu nunca te prometi isso"!!!!

Se calhar quando somos nós que ficamos desiludidos também devíamos de dar um desconto a quem nos desiludiu e não correspondeu ás nossas ILUSÕES!!

Beijinho*

NI disse...

Confusos, será de admirar um post meu sem música. Mas se eu ouço música de manhã à noite...

Também será de admirar o que vou dizer: acho que é a primeira vez que a minha opinião se aproxima muita da tua, ahahahahah

Beijo


Nota - Quanto às desilusões: por vezes pergunto a mim própria se não somos nós que criámos demasiadas expectativas.

Confuskos disse...

Tens opinião! ?? Pensava que só lançavas as perguntas... :P :P :P

Beijinho*

Vera, a Loira disse...

Depende sempre do que as pessoas nos fizeram sentir, esquecer é sempre difícil, mas se estamos, por exemplo com raiva, é mais fácil esquecer em vida. Os sentimentos são sempre muito complicados quando se trata de perda.

NI disse...

Confuskos, e bastante sólidas por sinal. Mas confesso que gosto mais de manifestar a minha opinião quando me pedem (defeito profissional). No meu canto? Gosto mais de ler as opiniões dos outros.

:)

Vera, perspectiva interessante e que não deve andar longe da realidade.


Beijos

Tinta Permanente disse...

Esquecer os sentimentos por alguém que me desilude é o mais fácil do mundo. Até parece que os sentimentos nunca lá estiveram, tem piada. Esquecer a pessoa que conheci é impossível. São coisas diferentes.
Os relacionamentos são aprendizagens sobre o eu, o tu, os outros e o mundo. Pessoalmente não creio em relacionamentos felizes bastante duradouros. Penso que o ser humano não foi desenhado como a rola, por ex. que acasala para toda a vida.
Se pensarmos que os sentimentos que temos em relação a um outro ser humano podem ser resumidos a processos químicos do nosso cérebro, que cruza informação química com cultural, lá se vai a lírica pelo cano abaixo. É uma decepçāo. Outra.
Enfim, não passa de uma opinião.

NI disse...

Tinta, as feromonas são "lixadas". E à medida que vou envelhecendo vou constatando que, de facto, os relacionamentos não são duradouros. Mas sou como tu. Não me esqueço das pessoas.

Beijo

Miguel disse...

Enterrar alguém que está vivo.
Na realidade, por vezes nem se consegue enterrar nunca...

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