domingo, 4 de janeiro de 2009

Infidelidade





"Os homens cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim e não encontram o que procuram.
E, no entanto, o que eles buscam poderia ser achado numa só rosa."

Antoine de St. Exupery


Vem este pensamento a propósito do tema de hoje: Infidelidade

Porquê este tema? Devido a uma notícia que li hoje em que uma mulher afirmava não estar minimamente aborrecida pelo facto do marido lhe ser infiel com a vizinha, pelo contrário, afirma a dita cuja, até ficava “livre do aspecto sexual”!!!

O que a senhora já considerava uma falta de respeito para com ela era o facto da amante do marido ter ficado desempregada e o marido a estar a ajudar financeiramente.

Isto é, para a senhora o facto do marido ter a vizinha como amante não indiciava qualquer falta de respeito. Agora, mexer no dinheiro de ambos, isso sim…

Fiquei com sérias dúvidas se a senhora estava a falar de um casamento ou de um contrato económico mas enfim…

A verdade é que aos longos dos tempos temos vindo a assistir a uma alteração dos valores relativos aos afectos.

Hoje em dia é comum defender-se a ideia de que a liberdade sexual é um direito sem restrições.

Assim sendo, conceitos como o da fidelidade conjugal estão completamente fora de moda e vêm sendo substituídos pelas “amizades coloridas”, o swing, entre outros.

Assumo: nesta matéria sou uma”velha do Restelo”.

Não quero com isto dizer que não respeito a opção sexual das outras pessoas. Todas as opções desde que assumidas têm que ser respeitadas.

Contudo, entendo que numa relação a dois o respeito é fundamental e ainda não me conseguiram convencer que a infidelidade, seja qual for a forma que revista, não constitui uma falta de respeito pelo outro mesmo com a anuência deste.

Para mim, se uma das partes da relação, ou ambas, sente a necessidade de ser infiel é porque a relação que tem não é suficiente.


Mas tenho consciência que esta minha postura é partilhada por um número cada vez menor de pessoas.

13 comentários:

Abobrinha disse...

NI

Não és velha do Restelo (nem de outro modo) e não creio que faças parte de minoria nenhuma. Simplesmente fala-se e diz-se as coisas mais abertamente que dantes. O que é bom: assim cada qual joga o jogo que quer, mas sabe a modalidade e respectivas regras. Quando se joga fora das regras, até essas jogadas em falta são óbvias e pode-se dar cartão (ou expulsão) com conhecimento de causa.

Essa senhora de facto tem como sagrado o estatuto e o respeito. Isso do sexo é porcaria, coisa de mulher fácil, por isso ainda bem que o marido o faz com a vizinha, que assim não a chateia. Mas se reparaste, o marido jurou perante o padre e o estado respeitá-la como mulher casada. Ou seja: mantê-la.

Moral da história: um par de cornos bem merecido! Não tenho pena!

NI disse...

Abobrinha, no caso que relatei a única coisa que não consigo entender é porque o casamento se mantém.

A mulher já demonstrou porquê: por dinheiro. A do homem bom, talvez não esteja para se aborrecer até porque tem uma mulher que o incentiva a ter uma amante para "ficar livre do sexo".

Mas, na verdade, aquela relação não casamento nenhum.

Abobrinha disse...

NI

Talvez os casamentos actuais, ao contrário do que diz "o povo" sejam melhores que os autênticos: enquanto o são, duram. Este é um casamento à antiga. Na volta esta esposa não merece o homem que tem. A outra, em contrapartida, merecia um homem bom... e tem-no. A menos do contrato.

NI disse...

Mas porque razão mantêm o casamento? Um divórcio consegue-se em 24 horas. Não considero um casamento à moda antiga. Considero uma farsa.

sessaoexperimental disse...

e desde quando um casamento é uma relação? sim eu sei que a menina é casada e tal....mas para mim....se uma relação basta...para quê o casorio?....é pq querem assinar um contracto...seja ele qual for..dai compreender a senhora em causa.....MEXER NO GUITO??? com esta crise? ahhhh desgraçado..ahahahha

Abobrinha disse...

NI

"Não considero um casamento à moda antiga. Considero uma farsa."

Et voilá: muitos casamentos à moda antiga ERAM uma farsa. Só um assinar de um papel. Estava-se casado e assumado. Para sempre, o que implicava uma série de coisas, algumas das quais não recomendáveis.

E isto quer dizer que concordo com o Calvin? Ora bem: nem sim, nem não, mas muito pelo contrário! Não vejo porque não casar. Não vejo porque casar.

Não vejo sinceramente o porquê de fingimentos (sim, podes também levar para a badalhoquice: eu deixo). E isto é válido para casamentos, amizades a sério, namoros... tudo! Com verdade toda a gente é bem mais feliz. E olha que isto não me tem levado mais longe que o sentimento de ter feito o que estava certo. POrque há quem prefira viver ilusões, sabendo que o são e parece viver bem assim.

NI disse...

Calvin, para mim o casamento é uma relação como é qualquer outra que una duas pessoas. Se me perguntas se é necessário duas pessoas que se amam casarem, digo-te que não. Se me perguntas se eu considero o respeito como parte fundamental de uma qualquer relação, digo-te que sim. E, no fundo, é isto que está em causa e não a instituição "casamento". Mas quando se resume, na prática, a um contrato e o mesmo é violado, então mais vale denunciá-lo.

Abobrinha, vejo o casamento para lá de um simples contrato civil mas não o considero essencial para duas pessoas se amarem e serem felizes. Não será por acaso que ao longo da minha actividade cívica ter sempre defendido a equiparação das uniões de facto ao casamento civil.

Contudo, para mim, o casamento é um projecto a dois que vai para lá de um mero contrato civil, com a inclusão de cláusulas de direitos e obrigações. É uma intenção de valores e afectos, como é qualquer relação que una duas pessoas.

Bjs aos dois

Tinta Permanente disse...

Olá
Disseste: "Para mim, se uma das partes da relação, ou ambas, sente a necessidade de ser infiel é porque a relação que tem não é suficiente."

Penso que a necessidade de ser infiel não tem a ver com uma relação insuficiente, mas com os genes que essa pessoa tem. Creio que os "infideles" são-no sempre, independentemente do relacionamento que tiverem.
Penso ser um traço da sua personalidade e algo primitivo a que nunca conseguem fugir. Está-lhes no sangue, a meu dizer.
Infiel uma vez, sempre infiel!

Abobrinha disse...

Tinta

Neste caso particular, a traição (a parte do sexo) é natural, expectável e (pasme-se) desejável pela esposa. Ou seja, havia necessidade dela. Acredita que não digo isto com leviandade! Logo eu, a quem a traição faz tanta impressão!

Estes genes de que falas, quando há vontade suficiente, contrariam-se. Quando não há vontade de contrariar pode-se estar perante quem faça as coisas abertamente ou um perito em mentiras. E com quem mente e dissimula sistematicamente é preciso ter cuidado!

O que me leva ao seguinte: as pessoas querem viver em verdade ou acreditar em doces ilusões? Sim, eu reparei que me repeti, mas ando com essa a martelar-me na moleirinha há um tempo.

NI disse...

Tinta, admito que possas ter razão mas a mim custa-me a assumir que seja uma questão de genes pois tal quereria dizer que o homem (entenda-se como género)se deixa ultrapassar pelo instinto meramente reprodutor que é próprio de todos os animais.

Abobrinha, respondendo à tua dúvida existencial :-): eu cá prefiro viver a realidade por muito que custe mas não prescindo de sonhar. Já sei que me vais dizer que não respondi, ahahahahah

Tinta Permanente disse...

Abobrinha
Sabes onde é que eu encontro essa falta de vontade em contrariar os genes, a dissimulação e a mentira? Num ser não maduro, logo, uma criança. Que eu saiba (e fui professora, lidei com muitas) as crianças precisam ser educadas. Mas os adultos não. Logo, eu não perco tempo com dissimulados, mentirosos e estupores infiéis. Tenho a certeza que há mulheres dispostas a acolher e a perdoar os sacanas. Porque sou adulta e tenho os genes civilizados ! Boa ?

Ni
O homem deixa-se ultrapassar sim, muitas vezes, porque o instinto da reprodução do seus genes é mais forte e primitivo que tudo o resto, incluindo centenas de anos de tentativas de civilização. Quando a oportunidade é criada, ele cai que nem um pato! Fecharmos os olhos a esta realidade é pura fantasia. Não sei como é podemos pensar que podemos apagar do mapa genético esta habilidade humana que visa a reprodução. Não tenhas dúvidas. Fazemos parte da National Geographic.

E quando um homem passa por nós (mesmo acompanhado) ele tira-nos as medidas e olha para trás para ver o nosso rabo! É verdade ou não ? LOL

Abobrinha disse...

Tinta

Uma criança não sabe o que faz e não tem a noção das consequências dos seus actos. Um adulto tem. E há adultos que não contrariam os genes de propósito. Só porque são maus. E há mulheres (adultas?) que estão dispostas a perdoá-los por muitos motivos. Um deles a infantil crença que eles estão arrependidos ou ainda (e esta é a pior) que mudam!

Há muito mentiroso por aí. E muita mulher crédula! Enquanto houver mulheres crédulas e dispostas a ficar-se por menos do que o que merecem, os famosos "genes" há-de andar por aí.

E, sim, de momento estou muito desencantada (com homens e com mulheres). É bom, porque há espaço para me surpreender. Que é melhor que espaço para apanhar um valente susto!

Tinta Permanente disse...

Abobrinha
O sentimento é recíproco. Também sinto esse desencantamento de que falas.

Mensagens

Arquivo do blogue


Porque não defendo:guetos, delatores pidescos, fundamentalismos e desobediência civil. Porque defendo o bom senso