sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Animal de hábitos...



Não gosto de rotinas. Mas há hábitos que nós, enquanto seres humanos, vamos adquirindo e que nem damos conta que fazem parte de nós e só damos valor quando os perdemos.

Cresci numa casa em que o convívio era a palavra de ordem. Os meus pais tinham bastantes amigos e gostavam de ter a casa cheia. Depois de uma semana de trabalho a família composta por cinco pessoas transformava-se numa " família" de dezenas de elementos. O meu falecido pai, órfão desde os 4 anos de idade, costumava dizer que não podíamos escolher a nossa família mas os amigos esses podíamos escolher e essa era a razão pela qual as amizades eram para toda a vida.

Foi assim até me casar e assim continuou nos primeiros anos de casada.

Mas a vida vai mudando e as pessoas também. Os filhos longe a estudar. O marido  a trabalhar até tarde...

E os amigos? Bom, uns estão longe e outros ocupados com a sua própria vida.

E o que o meu pai dizia da família estava certo. Não os podemos escolher porque se pudéssemos...

E é assim que me vejo numa sexta-feira à noite, sozinha, a ver "Mentes Criminosas" enquanto ouço música.


Para quem se habituou a ter a casa cheia de gente a conviver até às tantas é uma mudança brusca.
Somos mesmo um animal de hábitos...

3 comentários:

S* disse...

Entendo-te perfeitamente... Também me habituei, durante os 4 anos de faculdade no Porto, a convívio constante com as amigas, as colegas, a conversas sempre com gente diferente. Agora, regressada a casa, as amizades portuenses não desapareceram, mas não são tão cultivadas. Adoro as amigas, mas não as vejo tanto quanto gostava. E dou comigo a agradecer o facto de ter o namorado a meu lado, a ser o meu melhor amigo, ou sentir-me-ia muito sozinha.

E eu estou a ver a Investigação Criminal. :)

Petra disse...

Revejo-me no que disse a S* em Coimbra vivi numa casa com 54 colegas, quando não estava lá, havia o convívio com os colegas de curso, enfim raramente se estava só.
Agora é diferente... e faz tanta falta! Bem ditos fins-de-semana que ainda nos permitem ir matando saudades de hábitos antigos. Um beijinho NI.

Rui da Bica disse...

Neste tipo de análise (família) encontro 4 situações de base:
1- Vivência no seio da família (ascendente). Como filho mais novo de 4, curioso vê-la reduzir com a saída dos irmãos (por casamento).
2- A família criada por nós 2 pelo casamento e 3 filhos, a casa a ficar mais pequena e a avaliação mais sentida do conceito de família.
3- De novo, a família a diminuir, a casa a ficar maior, pelo casamento dos 3 filhos, ficando apenas, de novo, nós 2.
4- Os filhos começam a ter filhos e juntamente com as noras ou genros e os netos , de novo a tornar-se pequena e a reunir 14 !

Como de 6 se passa a 3 :
Como de 2 se pasa a 5 ;
Como de 5 se passa de novo a 2 ;
Como de 2 se passa a 14 !!! :)))

Afinal quem é a "verdadeira família" ? Difícil concluir !
... e se nos juntarmos todos os de início mais os seus "prolongamentos" ? Facilmente se chega aos 40 !!
... e se reunirmos os 2 lados ?... lá estaremos nos 90 !!! :)))
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Porque não defendo:guetos, delatores pidescos, fundamentalismos e desobediência civil. Porque defendo o bom senso