domingo, 15 de junho de 2008

Someone like you...


Norman Brown afirmou que toda a história do homem é um esforço para destruir a sua própria solidão.

Concordo com esta ideia.

Restringindo o sentido da frase às relações interpessoais eu diria que toda a história do ser humano é um esforço para encontrar “aquele(a)”.

Nessa busca incessante há aqueles que pensam ter encontrado na primeira tentativa.
Geralmente chegam à conclusão que afinal não era o(a) tal mas desistem de procurar.

Outros, pelo contrário, passam uma vida de opção em opção sem nunca encontrarem, mas sem nunca perderem a esperança de vir a encontrar.

Mas, pergunto: será que existe mesmo “aquele(a)”. Ou estaremos perante uma quimera que nos vai alimentando os sonhos?

Será que, para cada um de nós, existe algures o ser que nos completa?

Será que esta procura incessante é a responsável pelas nossas desilusões?

Será que esta procura incessante é a responsável por muitas vezes acabarmos sós?

Valerá a pena desistir de procurar?

Este é o tema do nosso próximo inquérito.




Milk And Toast And Honey - Roxette

12 comentários:

Victor disse...

Será que seremos nós aquele que alguém procura?
E só não encontra porque estamos demasiado ocupados a procurar o outro que nem nos deixamos encontrar?
Claro que acredito na outra metade.
Mas também acho que isto não se reduz a metades. Hoje as peças são mais e são dinâmicas, e se há dias que se encaixam, outro haverá que não.
Podemos pensar que somos peças de um cubo mágico, só temos é de ter paciência ou alguém que nos movimente da melhor forma para encontrarmos o nosso lugar e os nossos respectivos companheiros.

NI disse...

Perspectiva bastante interessante. Concordo contigo quando afirmas que hoje as peças são mais e são dinâmicas, e se há dias que se encaixam, outro haverá que não mas, quanto ao resto, discordo. Há muito que deixei de acreditar no príncipe encantado.

Victor disse...

É tens razão.
Até porque quando se encontra a metade o mais difícil pode ser encontrar um quarto.
hehehehehe

NI disse...

E o príncipe pode fugir no cavalo branco....

:-)))

Bjs

O pensador disse...

Eu não acredito que haja um(a) "Cara-metade" e mesmo que haja, não me acredito que seja algo bonito de se ver....

:-)

(Ps: Prefiro de longe uma "cara-cheia"...e essa, nem só acredito que existe como também tenho a certeza absoluta!)

NI disse...

Pensador, deixa-te ter mais uns aninhos.

O pensador disse...

Serão assim tantos os que nos separam Ni?
O Amor desaparece com a idade,é isso?
Estranho...seria suposto acontecer precisamente o contrário..

Ni, o que desaparece com a idade é a Paixão...a Chama...e desaparece porque deixamos de precisar dela!
O Amor jamais desaparece e só aparece na vida de quem é capaz de acreditar nele.
Com o passar dos anos tudo se torna mais profundo e menos fisico.(E tu melhor do que ninguém, deverias saber disso).

O problema é que toda a gente pede amor para a sua vida, mas ninguém acredita que ele existe.
Se não acreditas nele também não te vais dar ao trabalho de o procurar, e se não o procuras como esperas encontrá-lo?

É por isso que muitas vezes temos o amor a nossa porta e não o deixamos entrar ou não sabemos como reconhecê-lo.
Acho que as pessoas só pedem Amor na sua vida para terem a possibilidade de sofrerem, de se lamentarem, de se sentirem coitadinhos (as)...
Por vezes sofremos por amor, mas não podemos partir do pressuposto que o amor é alimentado pelo sofrimento.
O sofrimento é uma consequência, não uma causa!

O Amor apesar de parecer complicado, não passa de um sentimento simples, ni.
Não foi feito para ser entendido mas apenas para ser vivido.
O problema é que o pessoal vê demasiados filmes bacocos e lê demasiados livros bacocos que descrevem o amor como um sentimento ardente,avassalador,estonteante, destruidor da alma, um "Fogo que arde sem se ver" blá bla bla.. e outras parvoices limitadas.

E então as pessoas pensem:

- Eh pá!..eu nunca senti nada disso!...então isso quer dizer que nunca amei..

Estás a ver o erro, Ni?

Temos que ter os pés na terra.
Os livros, os filmes, os Romeus e Julietas e outros romances de ficção, são apenas isso mesmo...ficção!
São sonhos, devaneios de um autor de novelas...de gente que nunca conheceu o amor e que por causa disso a confunde frequentemente com a paixão.
O ser humano sempre gostou de coisas impossiveis...inatingiveis..

E sabes porquê?
Porque tudo aquilo que alcançamos deixa de ter piada.
Passa a ser aborrecido, ultrapassado..entediante...
Passamos a querer algo mais forte, mais frenético, mais poderoso!
Um novo desafio! Um novo estimulo!


Ni, daqui alguns serei sempre igual a mim próprio.
Tenho a certeza absoluta!
E sabes porquê?
Porque o elo que me liga a minha mulher foi construido ao longo dos anos, das alegrias, das tristezas, dos sorrisos, das discussões, dos medos, das gargalhadas, das lágrimas, dos momentos de cumplicidade, dos afectos, das caricias, das palavras e dos momentos partilha-mos juntos!!

O amor que sinto pela minha mulher não foi retirado de nenhum livro, Ni!
Foi a VIDA que mo deu!

Bjs

NI disse...

Pensador, talvez não me tenha feito entender.

Confesso, desde já, que votei " Apenas acredito que existe alguém com quem possa partilhar um projecto de vida".

Não acredito é no amor fantasiado por muitos.

E quanto ao amor própriamente dito também já exprimi muitas vezes a minha opinião.

Confesso, finalmente, que este post surgiu-me depois de eu reflectir sobre o percurso de um amigo que o mundo dos blogues me deu a conhecer (Solo) e que, finalmente, parece ter encontrado o seu porto de abrigo.

Apesar de sentir saudades dele sei que está bem e isso é o mais importante.

Bjs

O pensador disse...

Pois...e no meio disto tudo, qual é o significado do teu comentário:"Pensador, deixa-te ter mais uns aninhos"??

Posso não ter percebido a intenção inicial do teu post, mas esse comentário percebi-o bem Ni.

Bjs

NI disse...

É óbvio que entendeste. Já não te lembras é da minha posição sobre o "amor".

Bjs

O pensador disse...

Nina, lembro-me perfeitamente da tua posição sobre o amor e lembro-me essencialmente que entra em choque com a minha.
Decidamente não conseguimos ver/classificar o amor da mesma forma.

Mas ao dizeres:"Deixa-te andar mais uns aninhos" é o equivalente a dizeres que vivo uma mentira (ou uma ilusão, uma utopia) e que daqui uns tempos vou conhecer a verdade.
Estou errado?

Daqui alguns anos, irei reconhecer que só casei com a minha mulher por interesse e isto apesar dela ter menos do que eu...é isto que queres ouvir?

Pronto Nina, nem preciso de esperar tanto tempo...digo-o já!
Tens toda a razão!
Estive enganado este tempo todo!
Como pude eu ter o atrevimento de pensar que o amor representa algo bom?

Parece-me perfeitamente claro que o amor verdadeiro não existe!
Só existe o amor interesseiro!

Pronto...já deixei de sonhar...agora finalmente cresci...
Mas porque razão não me sinto eu feliz?

Beijos querida amiga.

:-)

NI disse...

Bolas, desde quando é que eu defendi que o amor era interesseiro?

Nem pensar.

O que eu defendo é que com o passar do tempo o que subsiste numa relação entre duas pessoas casadas (ou que vivam juntas)é a amizade incondicional, a qual não deixa de ser outra forma de amar e, talvez, com mais alicerces e mais profunda mas não é o amor romântico que dizem existir.

O problema é quando as pessoas se casam e se juntam a pensar que é só amor.

Tu conheces-me e sabes que não sou, pelo menos para já, tão cínica para poder ter uma posição como aquela que me atibuiste.

Definitivamente, gostas de me provocar.

:-))

Beijos

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