quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

"Trabalho sexual é trabalho!"

Imagem da net
 

Deste artigo de opinião de Jorge Fiel publicado no Jornal de Notícias, retiro estas frases:
 
"Há no nosso país uma indústria do sexo, que envolve cerca de 60 mil pessoas (mais ou menos tantos quantos os profissionais de saúde), cujos diferentes setores - que vão desde a prostituição até à rede de 150 sex shops, passando pelos/as strippers, atores e atrizes de filmes porno, trabalhadores de linhas eróticas, etc. - vivem na penumbra, entre uma legalidade disfarçada e uma clandestinidade consentida.
Que atire a primeira pedra quem nunca usufruiu de um produto desta indústria. E, por favor, na hora de meterem a mão na consciência, não esqueçam as loucas festas de despedida de solteiro, que nunca um livro vendeu tanto em tão pouco tempo como "As 50 sombras de Grey" (rotulado de porno para mamãs) e que as estatísticas juram que um em cada dois homens e uma em cada cinco mulheres veem regularmente pornografia.
Numa altura em que quase toda a gente espreita uma oportunidade para fugir aos impostos e condena o crescimento da economia paralela, convinha deixarmos de ser hipócritas e aplaudir a luta dos/as prestadores de serviços sexuais que reivindicam a legalização da sua atividade e querem ser reconhecidos como trabalhadores como outros quaisquer, que pagam IRS e descontam para a Segurança Social, para em contrapartida terem direito a férias, subsídio de desemprego e reforma. Trabalho sexual é trabalho!"
 
Na verdade, não consigo encontrar argumentos consistentes que coloquem em causa o que é defendido pelo Jorge Fiel. E não consigo por duas ordens de razão:
 
- Não é com falsos moralismos que se escamoteia uma realidade: a indústria de sexo existe e sempre existirá (ou não fosse designada como a "mais velha profissão do mundo").

- E já que existe, e terminar com ela é uma verdadeira utopia, então será uma forma, não só de diminuir a economia paralela mas, e talvez mais importante, de proteger as "profissionais" daqueles que ganham milhares à custa delas, de combater a prostituição na adolescência, de evitar a propagação de doenças e de diminuir o tráfego humano.

 

3 comentários:

Puzz disse...

totalmente de acordo...
é muito importante trazer este negócio de milhões para a luz do dia para o regular e defender todos os intervenientes.

O Mesmo Gajo disse...

Primeiro que tudo, pornografia e prostituição são coisas distintas e o Jorge Fiel tentou confundi-las. Nisto eu discordo. Sabe Deus se falo com ou sem o devido "conhecimento de causa" geral sobre ambos..!

Eu há muito que defendo a legalização da prostituição, até porque socialmente, poderia ser aquele "clic" para colocar os vizinhos de Espanha do lado Oeste no século XXI!

Mas aqui que ninguém nos lê, eu só imagino as facturas!! :P

"€XXX sexo oral, ejaculação ao natural, segunda erecção, com ejaculação anal e após coito"

...era lindo, confessa!?

Bjo*

A Minha Essência disse...

O grande problema e passe mais 100 anos vai-se continuar com o mesmo problema, é a hipocrisia, sim.

São poucos os que admitem de cabeça erguida como qualquer acto que se tenha consciência absoluta que está a cometer que, vê pornografia. Já requisitou serviços de acompanhantes, prostitutas/os e etc...

Os que de facto não fazem, criticam como se fosse a maior aberração da natureza. No entanto, se formos ver bem as coisas, estamos a falar de sexo. Quem não faz sexo? Quem não fetiches? Pior! Fala-se aqui da prostituição. Critica-se que a fulana ou o sicrano dá o seu corpo em troca de dinheiro. E? Cada um sabe de si e tudo que seja de consciência - independentemente o que leva a pessoa a tal acto - não é condenável. Não deveria... desde claro que isso não prejudique terceiros. Porque também há esse senão. Posto isto, penso que a sociedade deve deixar de tapar o sol com a peneira e legalizar para que as pessoas possam sentir-se dignas. Porque não é uma profissão que faz a pessoa mas sim o contrário.

:)

Mensagens

Arquivo do blogue


Porque não defendo:guetos, delatores pidescos, fundamentalismos e desobediência civil. Porque defendo o bom senso