terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Ser a favor ou contra o "Dia dos Namorados"...




A propósito de ter lançado o passatempo “a Frase mais romântica de 2013”, recebi um mail dizendo que não participava porque não concorda que existam dias específicos para comemorar seja o que for pelo que é contra a existência do “Dia dos Namorados”.

Obviamente que tal mail me merece todo o respeito mas deu-me motivos para reflectir. É que a posição de ser contra ou a favor de algo tem muito que se diga. É-se contra ou a favor por convicção? Por moda? Porque parece bem dizer?

Não pretendo ter resposta para tal pergunta. Apenas entendo que cada um de nós deve ter argumentos para defender as suas posições. E todos serão legítimos.

Ficam aqui os meus.

Estou casada há quase 26 anos.

Já o afirmei neste espaço, nunca fomos, nem somos, um casal perfeito (nem acredito que tal exista), mas sempre fizemos questão de ultrapassar as crises. Porque ambos, ao longo da vida, tivemos que lutar por aquilo que queríamos. Porque ambos somos amigos incondicionais, cúmplices e leais. Porque vale a pena fazermos a caminhada juntos e todos os dias é mais um dia do nosso percurso.

Tudo isto para dizer o seguinte: ele não liga rigorosamente nada a datas.

Faço anos? Bom, o mais certo é ele esquecer-se e como um pouco de sorte lá se lembra antes do dia acabar e dá-me os parabéns por estar “um ano mais velha”.  Fazemos anos de casados? Bom, aqui eu costumo dizer na brincadeira que é dos tais dias que ele gosta de esquecer. Uma coisa é certa: se lhe derem a optar entre um jantar romântico ou ir trabalhar, ele é bem capaz de optar por ir trabalhar porque entende que jantares para comemorar datas importantes são pura perda de tempo.

Eu sou o oposto mas tenho feito um esforço no sentido de menorizar a sua importância para mim. É a única forma de mitigar as desilusões. Porque, tenho que confessar, fico desiludida.

Não vejo qual seja o problema de comemorar datas específicas. Sejam elas os anos de casados, o dia dos namorados, o dia do pai, o dia da mãe, o Natal…
 
Há quem argumente que comemorar datas específicas são meros momentos comerciais sem qualquer valor. Não posso concordar com tal argumento por uma simples razão: só são comerciais se as pessoas derem essa valorização. Um jantar romântico, ou um jantar para comemorar uns anos não tem que ser necessariamente num restaurante ou num qualquer outro local em que se tenha que gastar valores absurdos de dinheiro. Quem pretende “revestir ou embrulhar as datas” com “papel verde” carece, antes de mais, de imaginação.

E o argumento de que são eventos que devem ser recordados todos os dias pelo que não deve ter uma data específica, comigo não colhe por uma razão muito simples: a vida não nos deixa parar para pensar durante 364 dias do ano que somos mulheres (homens), amantes, mãe (pai), filha(o)s…  O stress diário impede-nos de lhes dar o devido valor. De parar para “sentir”. Não vou dizer que seria ideal. Mas sejamos realistas.

Portanto, qual o mal de existir um dia para parar para pensar e festejar a alegria de sermos quem somos, de ter ao lado as pessoas que amámos? De termos um espaço temporal para viver os sentimentos verdadeiramente importantes da nossa vida. De festejar a vida?

E antes que me perguntem: não, não vou comemorar o dia dos namorados.
 
Porque tenho o passatempo? é a minha forma de criar um espaço em que todos parem dois segundos que sejam e pensem na pessoa que foi, é, ou pode vir a ser, importante.
 
 

7 comentários:

GATA disse...

Eu não participo porque não sou uma pessoa de afectos, e seria hipócrita da minha parte escrever uma frase romântica se não tenho uma gota de romantismo em mim. Mas nada contra o teu passatempo!

No entanto concordo com o que a pessoa diz em relação à existência de datas específicas para comemorações. E volto ao tema da hipocrisia... p.e., o Natal, a maioria das pessoas passa 11 meses a ser FdP e depois em Dezembro é só paz e amor??? Por favor, poupem-me!!!

E em relação ao Dia dos Namorados e ao Halloween, a minha postura tem que ver com a importação. Se temos o Santo António, porquê importar o São Valentim?! Se temos o Carnaval - ainda que ultimamente seja uma versão manhosa do brasileiro... -, porquê importar o Halloween? Não tarda importamos o Dia de Acção de Graças e o 4 de Julho!

Enfim...

Mas cada um é livre de comemorar o que quiser, desde que as pessoas se respeitem umas às outras!

NI disse...

Gata, eu não consigo generalizar dessa forma. Para mim, a hipocrisia só existe para quem é hipócrita. Se tu manténs sempre a mesma postura ao longo do ano não estás a ser hipócrita.

E não acredito que não sejas uma pessoa por afectos. Bem pelo contrário.

E aqui no Norte não há Santo António. :)

Beijo

A Minha Essência disse...

Estou em sintonia contigo.

Gosto. Faço questão de marcar estes marcos na minha vida, nos meus momentos, faço. Porquê? Porque somos nós que damos a importância que queremos e não o contrário. E talvez porque também tenho tido sorte de ter quem partilhasse da mesma opinião que eu. Se as datas existem, porquê ignorá-las?! Ninguém gosta de ser ignorado, porquê ignorar os marcos importantes de uma relação? Como os anos, data de namoro, casamentos e afins nesta vertente? Por ser lamechas? Por passar-se por piegas e mais não sei o quê? Mas afinal, o que importa verdadeiramente? Os outros, o que vão achar e tudo mais, ou efectivamente a pessoa que está connosco? O mal de muitas pessoas é pensarem mais no que os outros vão dizer e achar do que de facto o que a pessoa que faz parte de nós pensa e vai sentir. E assim comete-se falhas que traduzem-se por mágoas, desilusões, desistências até...

;)

cantinho disse...

Uma frase relevante:
"Porque ambos somos amigos incondicionais, cúmplices e leais. Porque vale a pena fazermos a caminhada juntos e todos os dias é mais um dia do nosso percurso."
Quanto ao dia, não dou a menor importância, mas gosto de ver os namorados, e não só, preocupados com elas/eles.
Por este motivo, vou participar no seu passatempo, até porque gosto de passatempos.

O Mesmo Gajo disse...

Ohhh... minha boa amiga Ni! (para perceberes esta introdução tens de verificar o teu email, prometo que não sou um estranho)

Esta discussão tem barbas e tu já dissertaste de forma claro vários pontos de vista!! Ainda não estou psicologicamente pronto para me aventurar em grandes argumentações, hoje em dia, não sei se sou a favor ou contra tal dia... para quem me conhece dirá: "Oi..!??"

Na verdade levanto as minhas amarras à comemoração deste dia, pois, na verdade, na vida agitada de quem trabalha (e são cada vez menos) precisamos de ser lembrados deste dia e de ser "obrigados" a comemorar, pois com a agitação do dia a dia, desafios constantes, poucas horas de sono, muito o que fazer.... o Ser Humano comum levaria anos para fazer algo romântico se este dia não fosse comemorado anualmente!!

E contra mim falo, acreditem...

Beijo grande, amiga :)

NI disse...

Essência, não podia estar mais de acordo contigo.

Cantinho, bem vinda a este "canto" e fico a aguardar a participação.

O Mesmo Gajo, fiquei a saber o mesmo porque não recebi nada no mail, ahahahah

Beijos a todos

GATA disse...

O Santo António é português (ainda que os italianos digam que não), logo é de Portugal inteiro, incluindo as ilhas! Portanto também é do Norte! :-)

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