sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Para Reflexão

"Gémeos proibidos de casar
Dois irmãos, separados à nascença, preparavam-se para casar. Mas um tribunal decidiu anular o matrimónio. O caso está a abalar a opinião pública inglesa.
Os gémeos foram adoptados por famílias diferentes e terão contraído matrimónio desconhecendo que eram irmãos
Os tribunais ingleses anularam o casamento de um casal de gémeos que havia sido separado no nascimento, noticia o 'Evening Standard'. Os detalhes sobre como foi possível que um irmão e uma irmã se puderam apaixonar mantém-se em segredo, tal como as suas identidades, mas o ex-deputado Lorde Anton, que descobriu o caso, assegura que os gémeos foram adoptados por famílias diferentes e terão contraído matrimónio desconhecendo que eram irmãos.
"Eles sentiram uma atracção inevitável", afirmou o ex-parlamentar ao jornal londrino, que acrescenta: "Eles não foram avisados que eram gémeos. Os irmãos só se conheceram quando já eram adultos. O juiz teve que lidar com as consequências do casamento e todas as questões da separação".
Lorde Anton citou o caso dos irmãos durante um debate no Parlamento inglês sobre a lei de Fertilização Humana e Embriologia, em Dezembro (o Governo de Gordon Brown está a sentir uma grande oposição às alterações a esta lei, que será votada na próxima terça-feira na Câmara dos Lordes).
Em entrevista à 'BBC News', o ex-deputado afirmou que o caso demonstra a necessidade de reforçar os direitos das crianças em saberem a identidade de seus pais biológicos. "A criança tem todo o direito de saber a identidade dos seus verdadeiros progenitores. Casos como este podem repetir-se no futuro se as crianças não tiverem acesso à verdade."
Para Lorde Anton, "se uma pessoa decidir ocultar a identidade de alguém, mais cedo ou mais tarde a verdade virá ao de cima. E então, as tragédias podem acontecer". Tal como aconteceu neste caso que está a abalar a opinião pública inglesa."
Hugo Franco (Expresso on-line/16:07 Sexta-feira, 11 de Jan de 2008)

7 comentários:

Jasmim disse...

Chocante!! Nunca tinha ouvido tal coisa... realmente tudo é possível. Pelos vistos a ligação que une dois irmãos é bem forte, ultrapassa tudo... mesmo que tenham confundido amor com uma ligação "de sangue". Será?

O pensador disse...

Ni,conseguistes trazer aqui um tema forte que pode originar um debate interessante neste Blog.
Voltarei mais logo para tecer alguns comentários sobre esta història..

Até logo.

O pensador disse...

Ni,deixa-me então comentar este texto.

Em 1º lugar gostaria de apontar uma pequena falha.
Refiro-me a esta introdução:"Dois irmãos, separados à nascença, preparavam-se para casar. Mas um tribunal decidiu anular o matrimónio"

Não percebo! se eles se preparavam para casar,é porque não estavam casados ainda e assim sendo o tribunal anulou exactamente o quê?

De seguida gostaria de comentar também esta frase:"Os detalhes sobre como foi possível que um irmão e uma irmã se puderam apaixonar mantém-se em segredo"

Pergunto: Qual é o espanto?
É uma ideia assim tão descabida de aceitar que 2 irmãos de sangue possam se apaixonar?
Eu talvez vá chocar algumas pessoas com aquilo que vou dizer agora,mas para mim,este casamento está longe de ser perverso e tem inclusive alguns resquicios de hipocrisia.
E isso porquê?
O que cria os laços afectivos entre 2 irmãos (laços afectivos familiares) é a apromixação que eles foram sujeitos durante todo o processo de crescimento.
Já é sabido pela maioria das pessoas que numa fase da infância,a curiosidade e a descoberta da sexualidade leva a que alguns irmãos praticam algumas brincadeiras inofensivas tais como "brincar aos pais e as mães",ao "doutor e enfermeira",etc..etc....brincadeiras essas que tendem a terminar durante a adolescência dessas crianças.
Quando a curiosidade fica saciada,o processo de crescimento encarrega-se de criar um sentimento natural de repulsa que vai impedir a continuidade dessas ditas brincadeiras e afastar qualquer atracção sexual que possa existir.

Considero perverso sim e até uma doença grave, quando 1 ou 2 irmãos querem dar continuidade (e até reforçar)em idade adulta os contactos sexuais que mantinham desde a infância.
Felizmemte que esses casos apesar de existirem,não são assim tantos como isso!

Agora,quando os irmãos não crescem juntos,que laços afectivos se poderia ter criado entre eles?
Essa afetividade não nasce com a gente (ao contrário do que muita gente possa acreditar),vai sendo criada ao longo dos anos através do convivio e da aproximação entre as pessoas.

O mesmo se passa com a amizade!
Quando vezes sentimo-nos muito próximos de uma pessoa e consideramo-la como a nossa melhor amiga e depois quando nos mudamos para outra freguesia (ou emprego) deixamos de ter contactos regulares com ela e mais tarde quando a encontramos por acaso na rua,já nem nos lembramos do nome dela??
É o contacto regular e a aproximação que cria e mantém os laços afectivos!!

Assim sendo,julgam que esses irmãos gêmeos sentem-se a praticar algum tipo de incesto?
Julgam que eles vão se separar agora que esta história se tornou pública?
Julgam que eles vão deixar de gostar um do outro e praticar relações sexuais só porque não podem casar?
Nem que eles mudem de país,mas acreditem que o amor entre eles só saiu reforçado!

Para mim,as autoridades nunca deveriam impedir este casamento civil.
O incesto não se aplica neste caso.
E eles sabem disso...daí a tal hipocrisia!

É importante que eles saibam que são irmãos para que mais tarde se tiverem intenções de ter filhos,não haja problemas na formação do feto.
Mas o resto é pura conversa de chacha!

Tenho dito..

Bjs

NI disse...

Pensador, desconheço se o casamento ocorreu (e se ocorreu foi anulado), ou se o Tribunal se pronunciou antes do mesmo ocorrer. Coloquei a notícia da forma como foi publicada. Mas concordo contigo de que a mensagem não está clara.

Pensador, compreendo o teu ponto de vista e até concordo e subscrevo a maioria dos teus argumentos.

Mas o que me chamou a particular atenção para este texto é a necessidade de nuns casos criar e noutros alterar a legislação que diz respeito, nomeadamente, à adopção à concepção assistida (mormente a que diz respeito à inseminação artificial).

De facto, com a evolução da genética e, porque não mencionar, o nascimento de novos valores no que diz respeito ao conceito de família (e aqui estou a referir-me às famílias monoparentais, não esquecer que muitas mulheres por esse mundo optam por serem mães recorrendo a bancos de esperma)impõe-se que a legislação preveja situações análogas. E quando digo "preveja", não quero com isto dizer que se penalize (como o foi no presente caso)mas, isso sim, que seja dada oportunidade a todos aqueles que são adoptados ou que nasceram por meio de alguma técnica médica de saberem quem são, de facto, os seus progenitores. No meu ponto de vista é um direito que assiste a todo e qualquer ser humano.

O pensador disse...

Ni,concordo e subscrevo.
Mas digo-o já que ao contrário do Lorde Anton (são todos lordes por aquelas bandas),não concordo que este caso dos 2 irmãos possa ser rotulado de tragédia.
Na cabeça dele se calhar até é,porque todos nós conhecemos o apetite voraz que leva o ser humano a criar tragédias e moralismos na vida dos outros.(Menos na vida dos Lordes!)
Quando os principes e as princesas andam por aí a cornear os conjugue com os(as) criados(as) e afins e a fazer filhos ilegitimos,isso não é importante,mas se a coisa toca ao povo...uí,já é uma perversidade!
Pergunto:
Os filhos dos reis,condes,duques,etc.. também não deveriam ter direito a saber quem é o verdadeiro pai?
E nas raras vezes que eles ficam a saber,a imprensa faz noticia disso?

Ni,também tenho que dizer que enquanto defensor dos valores sagrados da familia,sou contra todas as medidas que possam estimular o nascimento de familias monoparentais.

Considero que tanto o monoparentalismo POR OPÇÃO,como as familias de Gays assumidos que tanta gente gosta de defender (Gays não assumidos),são aberrações destrutivas dos valores da familia.

NI disse...

Pensador, concordemos, ou não, com as famílias monoparentais, com a adopção de crianças por homossexuais, com a inseminação artificial, etc, etc., há uma verdade indesmentível: são realidades da sociedade de hoje e que inevitavelmente implica um acompanhamento por parte da legislação.

Este post, para além das questões morais que eventualmente pode levantar é prova evidente de que a legislação tem que acompanhar a evolução da sociedade mesmo quando estamos a falar de afectos. Porque a legislação, ela própria, também pode ser de afectos.

O pensador disse...

Ni,perfeitamente!
Fiquei sem argumentos!
Bjs
:-)

(Ps: Estou a ficar velho..hehehe)

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