Começando o tempo quente, começa a pressão do corpo feminino "arquitecticamente" perfeito.
A mulher não pode ter uma grama a mais; as mamas têm que ser firmes e hirtas e, já agora, assim para o "grandito"; a pele tem que estar sedosa e sem manchas ou pêlos; o cabelo tem que estar perfeito e, de preferência, até meio das costas. Enfim, a "embalagem" tem que estar pronta se quiser ser sensual!
Bom, poucos de vocês me conhecem pessoalmente. Mas quem me conhece sabe que não sou, nem nunca fui um "esqueleto ambulante". Quis a mãe natureza (e a minha santa boca) que fosse sempre uma mulher com um corpinho "que ocupa mais espaço do que o normal"...
Mas daí dizer-se que por força das minhas gordurinhas de estimação não posso ser uma mulher sensual, alto lá e para o baile. Se não for sensual não será por causa dos meus 70 Kgs, (a minha balança está um pouco desequilibrada e acusa mais 4), em cima dos meus 1.62 m.
É verdade que não tenho um "corpinho danone" (sim, daqueles que não têm nada onde agarrar) mas, em contrapartida, não tenho celulite (tomem lá e embrulhem). A celulite entendeu que não valia perder tempo comigo. Teve a esperteza suficiente para saber que eu não lhe ia ligar nenhuma pelo que foi chatear outra...
Mas qual é o problema de uma pessoa ter umas gorduras a mais? Em que medida é que isso se transformou num barómetro de sensualidade?
Tem um pouco de barriga? Mas não é suposto termos barriga? Quem é que disse que ela tinha que ser plana? Onde está escrito?
As mamas têm gordura a mais? Mas até há quem pague para colocar mais gordura (via silicone porque a gordurinha boa e jeitosa ou se tem, ou não se tem).
"Ah, e tal, mas estes pneus são tão inestéticos... "- exclamam chorosas algumas meninas. Esperem lá...mas desde quando é que um ser humano tem rodas?
Mais a mais, uma pessoa quando acaricia outra gosta de sentir uma pele sedosa, não um monte de ossos.
Não ter a barriga plana ou ter umas gorduras a mais significa que deixa de ser bonita? Deixa de ser sensual? Deixa de ter direito a ser feliz?
Mas que é isso de sensualidade?
Alguém escreveu que o que faz uma mulher ser sensual é o facto dela ser ÚNICA.
Fosga-se, sim, tenho peso a mais mas sou única. E quem não quiser tem a estrada da vida que, para além de infinita, é larga...
Ni em modo repeat e a tentar convencer-se do que escreveu é mesmo a realidade.
- É verdade. Estou óptima! Nunca a vida me correu tão bem.
- Vê-se na tua cara...Até logo. Continua assim..
(Pois..., chego à conclusão que não me conheces minimamente e que a cara que viste apenas significa que estou a um curto passo de partir para o meu recanto e aí ficar até quando eu quiser...)
"…De repente tudo vai ficando tão simples que assusta. A gente vai perdendo as necessidades, vai reduzindo a bagagem. As opiniões dos outros são realmente dos outros, e mesmo que seja sobre NÓS, não tem importância. Vamos abrindo mão das certezas, pois já não temos certeza de nada. E isso não faz a menor falta. Paramos de julgar, pois já não existe certo ou errado, e sim a vida que cada um escolheu experimentar. Por fim, entendemos que tudo o que importa é ter paz e sossego, é viver sem medo, é fazer o que me alegra, o que me faz bem, o que me faz feliz. É só.”
Reinaldo Muller
Ou melhor, me está ensinando. Porque nesta matéria ainda estou a aprender.
A música de hoje é esta. Pouco conhecida mas que eu gosto imenso.
Confesso que os cartazes que me estão a provocar uma grande confusão são estes:
Até aqui, enfim, ficámos com algumas dúvidas porque, convenhamos, vir uma Tixa, uma Lola e uma Cris dizer que são todas Salomé faz-nos pensar em tudo menos em campanha eleitoral.
A propósito de um comentário que dei em resposta a outro:
Até aos trinta anos fiz imensos planos pessoais e profissionais.
Estava convencida que o trabalho feito com integridade, empenho, saber e entrega eram recompensados. Esta foi, aliás, a herança dos meus pais. Quando morreram "apenas" me deixaram valores e princípios.
Com base nestes ensinamentos estabeleci objectivos, (que nem eram impossíveis ou megalómanos), e elaborei planos que me permitissem atingir sem colocar em causa os valores e princípios nos quais, convictamente, acredito.
Quanto aos afectos...bom, quem não deseja se feliz? Quem não deseja sentir-se amado (a)? Quem não deseja sentir-se único(a) e insubstituível para alguém? E fazemos dessa quimera o nosso objectivo.
Estabelecer objectivos e elaborar planos pode transmitir uma sensação de ordem que nos tranquiliza. Mas é uma tranquilidade aparente e efémera. A vida não se desenha de régua e esquadro. Não se colocam os pedaços da vida ordeiramente arrumados numa prateleira.
Quando cheguei ao meio século de vida cheguei à conclusão que é uma valente perda de tempo fazer planos porque, se por um lado há situações que fogem do nosso controle, por outro lado anda meio mundo (os "xicos-espertos") a "lixar" o outro meio.
O melhor mesmo é encararmos um dia de cada vez e estarmos preparados para ultrapassar os obstáculos à medida que eles aparecem. Não vale a pena sofrer por antecipação nem esperar o que possa vir amanhã.E, acima de tudo, aproveitar todos os instantes de felicidade como se fossem os últimos.
Quando estou com a neura, e inevitavelmente com
insónias, dá-me para repensar em tudo o que fiz ao longo da minha vida.
Ora bem, para o que me havia de dar nesta noite de
insónias?
Viajar até aos famosos "bailes de garagem".
E para que os jovens não pensem que o pessoal da minha geração é uma cambada
de "cotas" que não "curtiam" nada, pois fiquem a saber
que aproveitávamos bem esses bailes.
Principalmente na altura dos "slows". Nessa altura era um "ver
se te avias".
E tínhamos as nossas músicas dos "amassos". Uma das mais famosas era
"Angie" dos Rollings Stones. Mas havia outras: "Sharing the nigt
togheter"; "Avalon" e tantas, tantas outras....
Músicas que os rapazolas não descuravam para tirar "uns troços".
Mas são inúmeras as músicas que me transportam para
aquelas tardes e noites de sábado na garagem de um dos amigos.
Juntos tínhamos decorado a garagem como "mandava a lei"...
Panos pretos a revestir as paredes enegrecidas pelo tubo de escape do Ford
Capri do pai, a bola de cristal que girava graças a uma engenhoca elaborada
pelo meu melhor amigo de então.
Dois gira-discos e umas colunas espalhadas pelos
quatro cantos daqueles 50 m2, e muita vontade de conviver, de conversar, de
dançar...
Trocavam-se entradas por uma multa que ia desde levar
um disco importado até uma bebida.
Sou daquelas pessoas que é capaz de estar horas
seguidas a dançar.
Antes de me casar não havia fim-de-semana em que não
desse o "gosto ao pé".
Infelizmente o meu marido não está pelos ajustes. Não
gosta de dançar e nunca dançámos juntos desde que estamos casados (e olhem que já vão trinta anos).
Quem sabe, quando ele for velhinho e não se aguente
das pernas ele se agarre a mim e eu aproveito e coloco uma música bem
romântica.
Pois, Ni, fia-te na "virgem a correr de
sapatilhas"... Agarra mas é numa vassoura que dá o mesmo efeito. Ou como se
dizia no século passado, tens sempre a "dança dos encalhados".
A música que acompanha este post? Pode ser esta (e, sim, ainda
tenho o single).