"(...) Morre lentamente...quem evita uma paixão e seu redemoinho de emoções justamente as que resgatam o brilho dos olhos e os corações aos tropeços...Morre lentamente... quem não vira mesa quando está infeliz com o seu trabalho, ou amor, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho. Quem não se permite, pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos...(...)"
Pablo Neruda
A vida é feita de escolhas. A liberdade é isso mesmo.
Escolher o caminho que queremos seguir.
Os sonhos que queremos alcançar.
O trabalho que queremos fazer.
Os lugares que queremos visitar.
Os livros que queremos ler e riscar.
As recordações que queremos guardar.
Os amigos que queremos amar.
A marca que queremos deixar.
Até a hora em que devemos partir...
A verdadeira liberdade é, pois, dificil de alcançar.
Não só porque a nossa liberdade termina quando começa a liberdade dos outros mas, sobretudo, porque impomos a nós próprios regras, princípios e objectivos que colidem com a própria liberdade. Um verdadeiro contra-senso. Utilizámos a liberdade para a retirar das nossas vidas.
Ao longo destes meus 46 anos de vida nunca desisti de lutar por aquilo em que acreditava.
De escolher o caminho e de me fazer acompanhar na longa caminhada da vida das pessoas que eu quis amar.
Uma caminhada com tantas desilusões...tantas injustiças...mas que nunca esmoreceram a minha vontade e o meu querer. Que me derrubaram vezes sem conta e que eu enfrentei de frente, sem medo da derrota. Porque a minha escolha era viver.
Nunca escolhi o caminho mais fácil. Foram sempre caminhos íngremes e duros. Com muitas pedras espalhadas. E utilizei essas mesmas pedras para me ajudar a ultrapassar os obstáculos.
Resignação não fazia parte do meu dicionário de vida. Mesmo quando só me restava um sonho.
Mas 2010 "matou" o último sonho.
Os últimos acontecimentos na minha vida profissional, familiar e pessoal, fizeram-me parar e questionar sobre se valeu a pena tantos anos de luta constante.
É inevitável... mais tarde ou mais cedo (por vezes cedo de mais), questionámo-nos se não é hora de parar de lutar. De simplesmente nos acomodarmos e assistir com um sorriso sereno à sucessão dos dias. Um sorriso de quem deu o seu melhor mesmo que a vida demonstre que não foi o suficiente. Hora de acomodar e deixar de sentir. Porque sentir magoa. E porque há um limite para a dor.
Porque não tem sentido lutar quando os sonhos deixam de existir.
Quando sentimos que já fizemos tudo o que tínhamos que fazer vamos reinventar os sonhos? Valerá a pena?
E pergunto-me se esta não será a verdadeira escolha.