segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Espera...




Quando se ama alguém, tem-se sempre tempo para essa pessoa. E se ela não vem ter conosco, nós esperamos. O verbo esperar torna-se tão imperativo como o verbo respirar. A vida transforma-se numa estação de comboios e o vento anuncia-nos a chegada antes do alcance do olhar. O amor na espera ensina-nos a ver o futuro, a desejá-lo, a organizar tudo para que ele seja possível. É mais fácil esperar do que desistir. É mais fácil desejar do que esquecer. É mais fácil sonhar do que perder. E para quem vive a sonhar, é muito mais fácil viver.

in Diário da tua Ausência, Margarida Rebelo Pinto



Se estavam à espera que eu falasse do "meu" FCP e dos 5-0 de ontem (ai Jesus...), desenganem-se.

Não vou falar.

Se  estavam à espera que eu falasse das mudanças (sim, ainda continuo a empacotar enquanto aguardo a "guia de marcha"), podem esperar sentados.

Hoje não me apetece.

Se estavam à espera que eu falasse de afectos e afins, daqui não levam nada (pelo menos enquanto não conseguir definir o que se passa na cabeça de algumas pessoas).

E pode demorar.

Se estavam à espera de ler qualquer coisa de astrologia, é melhor colocarem os pés bem assentes no chão. É que da forma como os astros andam, os astrólogos iluminados não conseguem chegar a um consenso.

Mais vale ler a previsão que vos eleve a moral.

Se estavam à espera que a minha inspiração regressasse, fiquem a saber que eu também estava à espera...




sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Quando se aproxima a hora da despedida...


"Quando há medo de ir embora, é porque vale a pena ficar... 
Quando não temos medo da despedida, 
é porque já fomos embora com o corpo presente..."
Vinicius Queiroz


Sei que vou ter saudades mas, neste momento, não tenho medo.

E não tenho medo porque tenho o direito a manter vivos os meus sonhos (não confundir com ilusões). Mas, acima de tudo, porque, apesar de todas as provas que vida me tem dado, continuo a acreditar no ser humano. E se não saísse não podia ser "eu".

Quero poder rir porque estou bem e não porque tenho que demonstrar que estou.

Quero poder fazer algo de que goste e não tentar esconder que não me afecta ver aquilo que eu gosto a ser feito por outras pessoas.
Quero poder dizer que me "deitaram ao chão" mas que me levantei sozinha e mais forte.

Esconder a cabeça na areia e nada fazer seria bem mais cómodo. Mas eu nunca fui comodista.

Mas que me dava um "jeito desgraçado" ter alguém que me ajudasse a empacotar e a levar as coisas para o novo gabinete, ai isso é verdade...

A minha vontade é telefonar a alguém para me vir fazer esse "trabalhinho", enquanto fico sentadinha a beber uma caipirinha e a ouvir este menino a dizer "Hold On"(isto é o exemplo de um sonho a raiar a ilusão), e quem me conhece sabe que eu e as caipirinhas...  
 .

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Ora...



Já que o "meu mais que tudo" vai estar entretido nas aulas, eu e a minha filhota mais nova vamos estar aqui:



UEFA Europa League

Estádio do Dragão, 20H05

Quinta-Feira, 4 de Novembro de 2010


Qualquer resolução é mais fácil de tomar quando partilhada...



"Uma resolução forte muda no mesmo instante a maior infelicidade num estado suportável. À tarde, depois de uma batalha perdida, um homem foge a toda a velocidade, num cavalo meio-morto; ouve distintamente o galope do grupo de cavaleiros, volta a carregar a carabina e as pistolas, e toma a resolução de se defender. No mesmo instante, em vez de ver a morte, vê a cruz da legião de Honra."

Stendhal, in "Do Amor"


Ainda a propósito do post anterior...

Qualquer decisão que tomasse resultaria, necessáriamente, de uma reflexão pessoal. Mas não posso deixar de agradecer o apoio das minhas queridas amigas Djinn e S.

É que "estavam lá", mesmo sem eu ter dito nada.

É bom saber que temos alguém com quem partilhar as nossas dúvidas e receios.




quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Que raio de mania...


Corria o ano de 2002.

Numa manhã de Dezembro recebo um telefonema dizendo que tinha cinco minutos para arrumar as minhas coisas pois ia mudar de serviço. Em resposta disse que era impossível empacotar dezasseis anos da minha vida em cinco minutos.

Mesmo assim, e por uma questão de orgulho pessoal, consegui empacotar tudo numa manhã e da parte da tarde estava apta a assumir as novas funções. Nessa altura prometi a mim mesma que nunca deixaria acumular muita coisa no novo gabinete, não fosse receber uns tempos mais tarde telefonema de igual teor.

Mas todos aqueles que acompanham esta sala de estar sabem que padeço de um mal terrível: gosto de trabalhar. Para mim não há horários. Ora, estando eu, durante oito anos, no meu local de trabalho cerca de 10 horas por dia, era inevitável que, pouco a pouco, fosse transformando o meu gabinete de trabalho numa pequena "divisão caseira".

Primeiro foi uma fotografia das filhotas. Depois, juntou-se uma da cara-metade.

Mais tarde foram os quadros pintados à mão pelas filhotas e umas plantas para disfarçar a falta de tempo para ir até um jardim.

Mas como quem entra no trabalho às 8.15 h. da manhã e sai depois das 19 horas (foi a minha vida até Março deste ano) fica com pouco tempo para tratar de assuntos com bancos, finanças e afins. Há que fazer tudo pela net e nas pausas do trabalho. Porque razão havia de andar com papéis de um lado para o outro? Vai daí, ter uma pasta para arquivar dcumentos do banco, outra para pagamentos diversos, outra para o IRS, etc, etc... Quando damos conta temos a nossa vida pessoal dos últimos 8 anos arquivada em pastas e pastinhas.

Mas trabalhar muitas horas seguidas pode dar dores de cabeça. O stress não é aconselhável para quem tenha úlceras. E os dentes? Nem me falem de dor de dentes. O que é necessário? Uma caixa de medicamentos bem apetrechada.

E nem pensar estar o dia todo sem lavar os dentes. Há que ter sempre perto produtos de higiene. E, por falar em higiene, é bom não esquecer que a todo o momento podemos ser chamados para reuniões com os chefes. Há que ter bem guardado um conjunto sempre útil para uma mulher: escova de cabelo, um lápis preto, um perfume e, sempre importante, um par de meias a mais não vá o raio da cadeira que já viu melhores dias "puxar" um daqueles fios bastante sensíveis.

Se a tudo isto juntarmos o facto de que a função de jurista obriga a livros, toneladas de legislação e de pareceres, estão a ver o trabalho que vou ter até sexta-feira, apesar desta vez sair pelo meu próprio pé e na altura que quero.

Que raio de mania a minha de guardar tudo...

E é que nem me adianta prometer a mim mesma que não vou cometer o mesmo erro. Não seria eu se não me visse rodeada das coisas que me dão a sensação do conforto do lar...

E, por falar am lar, fiquem com a música que estou a ouvir neste momento.


terça-feira, 2 de novembro de 2010

Eu vou lá estar...




Graças à minha amiga de sempre.

Crescimento...


Aquilo que não me destrói fortalece-me
Friedrich Nietzsche





Ainda faltam cerca de dois meses para o final deste ano mas decidi fazer um curto balanço deste ano. 

Porquê? Bom, como a minha mãe foi cremada e as suas cinzas espalhadas pelo Buçaco e o meu pai era contrário às manifestações do dia 01 de Novembro, desde a morte deles que aproveito este dia para me recordar dos tempos em que podia contar com a presença deles e fazer um balanço do "deve e haver". Do que eles estavam à espera de mim e do que eu consegui alcançar.

Se eles estivessem vivos e me pedissem para resumir numa frase o ano que entra na recta final a escolha recairia no pensamento de Nietzsche que coloquei no início deste post.

É que tenho consciência que este ano marca uma viragem indelével na minha forma de estar.

Sofri mas aprendi muito.

Essencialmente aprendi que estava errada quando coloquei em causa as minhas capacidades profissionais. Hoje, não tenho qualquer dúvida que as minhas qualificações, experiência e profissionalismo constituem um entrave para aqueles que querem chegar a algum lado.

Mas também aprendi outra coisa.

Ao longo deste ano muitas foram as pessoas que falaram comigo e que tentaram, de alguma forma, demonstrar que eu estava profundamente errada quanto à postura que assumi. 

Cheguei à conclusão que a maioria dos meus colegas de trabalho reconhece que possuo uma característica que algumas pessoas não valorizam: inteligência emocional. 

Fiquei a saber que a maioria das pessoas vêem em mim uma pessoa  leal e com quem podem contar. Uma pessoa que valoriza o diálogo e a partilha e que não tem medo de se rodear de pessoas que saibam mais do que eu. Que  considera a prepotência uma fraqueza, valorizando a competência e a entrega, sabendo como motivar uma equipa.

Esta foi a mensagem que recebi ao longo do ano e que me custou a aprender.


Não sei o que o futuro me reserva. Apenas sei que apesar de manter os principais traços da minha personalidade, o ano de 2010 foi o ano de maior crescimento pessoal. Disso não tenho qualquer dúvida. Saldo? Bastante positivo. Afinal sou bem melhor do que aquilo que pretendi fazer de mim.

E fiquem com um dos temas que mais dancei durante os dias que estive em Tróia. É óptimo para aliviar o stress..

Uma boa semana para todos.


sábado, 30 de outubro de 2010

Felizmente...

Estou em casa.

E digo felizmente por duas ordens de razão: a primeira é que estava cheia de saudades das minhas filhotas e a segunda porque houve alturas durante a viagem de hoje que tive sérias dúvidas que conseguisse chegar a casa tal era a quantidade de chuva que caía e o vento forte que se fez sentir.

Nota 1 - Ontem, último dia do Congresso, consegui ver um golfinho.

Nota 2 - Andar de catamaran com ventos fortes não é aconselhável para quem tenha o estômago sensível.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Qual crise, qual quê...

O Congresso está na sua recta final. 

Terminado que está mais um dia de trabalhos, e como esta noite é livre, eu e alguns colegas vamos aproveitar para conhecer um pouco da cidade de Setúbal.

Cá para nós que ninguém nos ouve, vamos até Setúbal para comer uma bela pratada porque comida de hóteis...obrigadinho mas passo.

Entretanto, fiquei a saber que o custo médio de uma moradia nestas bandas é de 1 milhão de euros* e já estarão todas vendidas.


* Rectificado após o JPM me ter alertado para o erro

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

E a noite?


A noite foi bem mais calma mas muito divertida.

Depois da sessão solene (este ano, curiosamente, menos aborrecida e entediante), seguiu-se o jantar. No meio de quase 600 pessoas não é fácil vermos as caras que nos são familiares. Mas lá encontrei os meus colegas de Góis que, uma vez mais, primaram pela boa disposição.

O espectáculo foi óptimo e, tal como o prometido, lá fomos até à discoteca. É engraçado vermos o pessoal dos "enta" a dançar como se tivessem 15 anos.

A noite acabou às tantas...

Agora, é voltar às sessões de trabalho. O divertimento vem mais logo.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Eu bem digo. Mas vocês não acreditam...



Eu não vos disse que as minhas viagens são sempre surpreendentes?

Até Lisboa, tudo normal.

Como tinha uma hora de espera decidi ir até ao Vasco da Gama (pois é Sadeek, tive a mesma ideia).

O objectivo era comer qualquer coisa e voltar para a estação. O problema é que sou gaja. E gaja que se preze tem sempre que olhar para uma montra ou duas e, de preferência, entrar, pelo menos, numa loja.  E foi o que esta menina fez. Quando olhou para o relógio faltavam apenas 20 minutos para o comboio e não queria arriscar chegar tarde. Lá se ia a comida mas tinha sido por uma boa causa.

Eis senão quando, reparo que me faltava o casaco. Toda catita vou ter com um segurança no sentido de tentar descobrir se alguém tinha entregue um casaco. E não é que ainda há pessoas honestas? Tinham encontrado o meu casaco e entregue na administração. Lá vou eu à pressa buscar  casaco e abro a carteira para ligar para a minha filha mais nova para saber como lhe tinha corrido o teste de química.

Para, disse bem. Porque telemóvel...já era...

Entretanto, faltavam já 8 minutos para o comboio. 

Com cara de menina bem comportada perguntei ao segurança se com o casaco não teriam entregue um telemóvel, ao que o segurança me respondeu: "Não acha que era sorte a mais"?

Sorte a mais? Mas se há pessoa que precise de sorte sou eu, ora bolas.

Resmungando sozinha decido ir a correr para o comboio dado que a hora se aproximava.

Eis senão quando (pois é, a história não acaba aqui), tenho a brilhante ideia de entrar na dita loja que tinha andado a ver e perguntar se alguma alma bondosa não teria encontrado o telemóvel. E não é que encontraram? Ah, pois é. Afinal o segurança estava enganado.

Agora só faltava atravessar a estrada, subir as escadas e entrar no comboio em apenas 3 minutos.

Apesar da gordurinha a mais ainda sou bastante ágil e lá consegui entrar no comboio quando já se preparavam para fechar as portas. 

Confesso que estava contente comigo mesma. No final tudo tinha corrido bem e coloquei um sorriso triunfalista.

Eis senão quando... (pensavam que acabava aqui?).

"Senhores passageiros, em virtude de um descarrilamento em Alcácer do Sal, este comboio terminará a sua marcha em Setúbal. Os senhores passageiros deverão aguardar pelo transporte alternativo que os levará até Grândola".

Bom, fiquei descansada porque o meu destino era Setúbal. O problema é que muitos optaram por escolher o táxi em vez de aguardar pelo transporte alternativo e quando vou a ver estavam 14 pessoas à minha frente. Lá ia eu perder o "ferry" das 14.50.

No início da fila estava um casal de holandeses a quem eu tinha ajudado a descer do comboio. Nisto olham para mim e perguntam-me para onde vou. Depois de responder eles disseram que tinham todo o gosto que eu os acompanhasse no táxi. Nem hesitei. Ainda ofereci para pagar a minha parte mas eles recusaram. Confesso que não insisti porque eles nem pestanejaram quando o taxista os informou que até Grândola teriam que pagar 75 euros.

Finalmente no cais, a tempo e horas, pude comprar o bilhete para o catamaran (e não ferry) e chegar ao hotel.

Ah, é verdade, Tróia é rodeada por uma paisagem magnífica e, segundo me informaram, estou instalada no melhor hotel.

Sorte? Claro que não. Eu mereço!

Ufa, estou cansada e o Congresso ainda não começou...

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

De "Malas Aviadas"...

A mala está feita e os bilhetes comprados.

Agora só falta preparar-me mentalmente para uma viagem de sete horas.

É verdade! Sair de Gaia às 10 horas da manhã e ter chegada prevista a Tróia por volta das 17.30 horas é o que me espera amanhã.

E tudo por "culpa" das esperas: 1 hora na estação Oriente e 2,5 horas em Setúbal.

Mas porque "raios e coriscos" não conseguem encontrar um sistema integrado de transportes públicos?

Depois da viagem é enfrentar uma sessão solene com discursos monocórdicos.

O que vale é que  depois do jantar há encontro marcado na discoteca para desanuviar um pouco.


Nota 1 - Pelo sim e pelo não levo comigo uns comprimidos contra o enjoo...
Nota 2 - Vamos lá ver se consigo um tempo para a visita diária aos vossos "cantos".

domingo, 24 de outubro de 2010

Orgulho... ou fraqueza infantil?




"Todos querem a paz, mas há muita gente que não se dispõe a fazer as pazes. Parece que não acreditam que duas pessoas zangadas ou um casal desavindo se possam reconciliar. Preferem afirmar posições. De facto, o orgulhoso não é inteligente! Se fosse inteligente, já teria percebido que a coisa mais humana é levantar-se dos seus erros e recomeçar cada dia. Não o tentar e agarrar-se aos seus direitos parece força, mas é fraqueza infantil."


(Padre) Vasco Pinto de Magalhães, in "Não Há Soluções, Há Caminhos"


Até porque, o outro lado pode estar cansado de dar sempre o primeiro passo para a reconciliação. E, quando dermos conta disso pode ser tarde de mais...

E vocês? São orgulhosos?


 

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Porque hoje me apetece dizer isto...


Talvez porque hoje foi um dia particularmente difícil. 



" O SILÊNCIO E TANTA GENTE


Às vezes é no meio do silêncio

Que descubro o amor em teu olhar

É uma pedra

É um grito

Que nasce em qualquer lugar


Às vezes é no meio de tanta gente

Que descubro afinal p'ra onde vou

E esta pedra

E este grito

São a história d'aquilo que eu sou


Às vezes sou o tempo que tarda em passar

E aquilo em que ninguém quer acreditar


Às vezes sou também

Um sim alegre

Ou um triste não
 
E troco a minha vida por um dia de ilusão

E troco a minha vida por um dia de ilusão


Às vezes é no meio do silêncio

Que descubro as palavras por dizer

É uma pedra

Ou é um grito

De um amor por acontecer


Às vezes é no meio de tanta gente

Que descubro afinal p'ra onde vou

E esta pedra

E este grito

São a história d'aquilo que sou"

Maria Guinot


 
 
 
 
Um bom fim-de-semana para todos.
  



Estou na lua...



Porque, por vezes, o melhor é esquecer os problemas, as crises, as indiferenças, as hipotecas, as ....

e deixar a nossa mente ir até à "lua"...


E, hoje, estou mesmo com vontade de ir até à lua e ficar lá uns dias...





Nota - Posso estar enganada mas os meninos vão gostar de algumas das imagens deste vídeo... (a vossa sorte é que hoje estou por tudo).


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Porque não defendo:guetos, delatores pidescos, fundamentalismos e desobediência civil. Porque defendo o bom senso