quinta-feira, 6 de maio de 2010

A monotonia do tempo...



" Para não sofrer, trabalha. Sempre que puderes diminuir o teu tédio ou o teu sofrimento pelo trabalho, trabalha sem pensar... Sentir que fazemos o que devemos fazer aumenta a consideração que temos por nós próprios; desfrutamos, à falta de outros motivos de contentamento, do primeiro dos prazeres - o de estar contente consigo mesmo... É enorme a satisfação de um homem que trabalhou e que aproveitou convenientemente o seu dia. Quando me encontro nesse estado, gozo depois, deliciadamente, com o repouso e os mais pequenos lazeres. Posso mesmo encontrar-me no meio das pessoas mais aborrecidas, sem o menor desagrado; a recordação do trabalho feito não me abandona e preserva-me do aborrecimento e da tristeza."

Eugéne Delacroix, in 'Diário'



Pois é Eugéne, isso que tu dizes é muito bonito e, posso confirmar, resultou comigo 29 anos. O que não consegues explicar é o que fazer quando deixas de poder fazer o trabalho que gostas. Quando te limitas a olhar para os ponteiros do relógio...



Conheces aquela sensação de não estares vivo? De todos os teus gestos serem repetições mecanizadas?



De olhares para o espelho e não encontrares aquele brilho nos olhos que te mostra o desafio de um novo dia?



De te deitares ao fim de um dia e chegares à conclusão que não tomaste o tempo? Que ele é que tomou conta de ti?


É que Thomas Mann tem razão quando diz: " ... o que se chama de tédio é, na realidade, antes uma simulação mórbida da brevidade do tempo, provocada pela monotonia: grandes lapsos de tempo quando o seu curso é de uma ininterrupta monotonia chegam a reduzir-se a tal ponto, que assustam mortalmente o coração; quando um dia é como todos e todos são como um só..."

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Porque não defendo:guetos, delatores pidescos, fundamentalismos e desobediência civil. Porque defendo o bom senso