quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Três em um...


 
O pensamento do dia em imagem é este:
 
 
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E o piropo do dia é este.
 
 Imagem recebida por mail
 
 
E a prova de que homens e mulheres não são diferentes assim, (os meios e os objectivos é que são), é esta:
 
 
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Porque tudo o mais que tinha a dizer podia valer um processo crime por injúrias e difamação e eventual pagamento de uma choruda indemnização. Como o dinheiro faz-me falta para coisas bem mais importantes, vou passar o dia em modo "gata em telhado de zinco quente".
 
Mas cá para nós que ninguém nos ouve, apetecia-me pegar num carro, colocar esta música nas alturas e ir até bem perto do mar e esquecer, mesmo que por breves momentos, o trabalho (que nos retira a vontade de trabalhar), a família (que só aparece para pedir dinheiro), os "amigos" (os de ocasião, conhecem?) e até de mim mesmo (porque às vezes sabem bem "fazer de conta").
 
 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

E qual a melhor prenda para oferecer às mulheres no Natal?

Imagem da net

 
Aproximámo-nos, a passos largos do Natal.
Vou-me repetir porque já aqui escrevi que esta é, assumidamente, a época que eu mais valorizo e que, por ter sido nesta época que perdi pessoas bem importantes na minha vida, faço questão de viver cada Natal como se fosse o último.
É verdade que gasto tempos infinitos nos preparativos, desde a decoração da casa até à compra das prendas. É verdade que faço questão de embrulhar cada uma das prendas que dou para que um pouco de mim esteja lá.
Mas vejo o Natal como a época dos afectos. Uma viagem até ao nosso íntimo e às nossas memórias...

Por isso, a melhor prenda que me podem dar é ver a minha casa cheia de gente (e este ano, já não chegava a crise, vai ser o primeiro Natal em que a filhota mais velha não vai estar connosco e o resto da família "já era" pelo que vamos ser apenas "3 gatos pingados").
 
Mas como não vale a pena chorar nem tapar a cabeça com a casca do calimero vamos lá imaginar que vamos ter ao nosso lado as pessoas que gostámos, que a crise assustou-se com o frio que se faz sentir e foi até às Caríbas apanhar uns banhos de sol e responder à seguinte questão: "minhas meninas" qual é a prenda que vocês gostariam de receber este Natal?
 
 
 
 
 

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

E a melhor prenda para oferecer aos homens no Natal é...


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Um estudo da marca Gillette afirma que “... os homens são «muito mais fáceis de agradar do que as mulheres»”.

Pelos vistos os homens procuram três coisas num presente: “… que seja útil, algo que comprariam para si próprios, e que usem regularmente”.

Segundo o mesmo estudo mais de 60% dos homens na Península Ibérica receberam, no Natal passado, prendas que consideraram «completamente inúteis», apesar de 62% das mulheres que foram entrevistadas terem admitido que gastavam mais dinheiro "...na aquisição do presente, face ao desejado. A marca explica que a conclusão tem a ver com o facto de a maioria das mulheres ter dificuldade em presentear o homem, e acabar por compensar com uma prenda cara. “.

Eis o Top 10 dos presentes mencionados pelos homens como sendo os mais inúteis:

1 - peças de roupa inadequadas - com estampados alusivos ao Natal, por exemplo;

2 - acessórios de vestuário, como gravatas ou chapéus;

3 - relógios e pulseiras;

4 - objectos como rádios digitais, pen USB e isqueiros;

5 - roupa interior, nomeadamente com motivos natalícios;

6 - perfumes que não aprecia;

7 - material de escritório;

8 - objectos de decoração;

9 - chocolates e outros doces;

10 - DVD e CD.

E agora a dúvida existencial: Os homens são «muito mais fáceis de agradar do que as mulheres»”?
Fosga-se…Quem olha para o Top 10 das prendas que não gostam de receber apenas ficam de fora os carros, as motos, e pouco mais.
 
Ainda dizem que as mulheres é que são complicadas...
 
 
Nota - Obviamente que o título deste post fica sem resposta
 
 

Dos esquecimentos...


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" - Abandonou-te?

- Pior ainda: esqueceu-me..."

Mário Quintana
 
 
Podemos ter receio de assumir mas, na verdade, não é o facto de alguém que é importante na nossa vida se afastar que verdadeiramente nos assusta. Nem é a solidão ou aquela parte de nós que fica vazia.
 
O que nos mete medo é que essa pessoa não pense mais em nós porque tal significaria que nunca fomos importantes para ela, como ela foi para nós.
 
E tanto é assim que a pessoa até pode estar bem perto de nós e o medo persiste.
 
Porque, bem no nosso íntimo, precisamos de sentir que somos verdadeiramente importante... para alguém.
 
 
E a música tem que ser esta.
 
 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Das coisas que nunca entenderei...


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O prazer que se retira em, sistemáticamente, prejudicar um colega de trabalho.
 
Mas, sinceramente, não quero entender.
 
E, apesar de não viver com o mal das outras pessoas, por breves momentos assola-me aquele pensamento: "como reagiriam essas pessoas se provassem do próprio veneno"? Será que se transformariam em seres humanos com "coluna vertebral"?
 
Temo que não.
 
Mas, para o bem e para o mal dos "ditos cujos", vão ter que levar comigo de cabeça erguida e com um sorriso nos lábios, porque se pensam que é mais uma deslealdade e uma sacanice que me faz parar, estão muito enganados.

E a música que estou a cantar para mim mesma neste momento é esta. Porque era a que em 1986, enquanto passeava no corredor cinzento do IPO do Porto, se ouvia na rádio da sala das enfermeiras e tive consciência que não teria o meu pai muito mais tempo. Mas o sorriso quando o vi à saída da dala de operações manteve-se todos os dias em que ele ainda me conseguia ver. Porque podem-me mandar ao tapete. Mas eu decido quando é KO.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O fruto do amor...

 
 
 
" Espalhem a notícia
do mistério da delícia
desse ventre
Espalhem a notícia do que é quente
e se parece
com o que é firme e com o que é vago
esse ventre que eu afago
que eu bebia de um só trago
se pudesse
Divulguem o encanto
o ventre de que canto
que hoje toco
a pele onde à tardinha desemboco
tão cansado
esse ventre vagabundo
que foi rente e foi fecundo
que eu bebia até ao fundo
saciado

Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher

A terra tremeu ontem
não mais do que anteontem
pressenti-o
O ventre de que falo como um rio
transbordou
e o tremor que anunciava
era fogo e era lava
era a terra que abalava
no que sou

Depois de entre os escombros
ergueram-se dois ombros
num murmúrio
e o sol, como é costume, foi um augúrio
de bonança
sãos e salvos, felizmente
e como o riso vem ao ventre
assim veio de repente
uma criança

Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher

Falei-vos desse ventre
quem quiser que acrescente
da sua lavra
que a bom entendedor meia palavra
basta, é só
adivinhar o que há mais
os segredos dos locais
que no fundo são iguais
em todos nós

Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo do mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher "
 


E porque tenho bons amigos, amanhã estarei na 1ª fila a ver e a ouvir o "poeta" Sérgio Godinho.
 
 
 

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

A Caixa...




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Fácil, não é?
 
 
Algures no tempo fomos perdendo a capacidade de dar valor às coisas simples.
 
Algures no tempo fomos ganhando o medo de nos darmos.
 
Algures no tempo desapareceu o caminho para o arco-irís...
 
A música é esta.
 
 
 
 
 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

A coragem de assumir...


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"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..."

Clarice Lispector


Umas vezes com a vã esperança de que o destinatário das nossas palavras consiga ler o que não tivemos coragem de dizer.
 
Outras vezes, porque precisamos de ler o que a mente não tem coragem de assumir.
 
Ou, apenas e tão só, porque precisamos de desabafar... esperando que alguém nos ouça! Porque a vontade de desistir é, muitas vezes, enorme...

Mas, bem lá no fundo, debate-se a esperança da mudança contra a certeza de não conseguir alterar coisa nenhuma.
 
A música de hoje é uma das minhas preferidas. Porque os sentimentos só assustam quando não estamos preparados para eles. E, inevitavelmente, fugimos com a desculpa de que não gostamos do que vimos quando bem lá no íntimo...
 
 
Eis a coragem suprema: assumir o que verdadeiramente sentimos.
 
 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Esquecimento...



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"Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito."
Machado de Assis
 
 
Não fico presa ao passado mas não me esqueço de quem foi (é) importante. Porque não quero. Porque não devo. Porque não posso. 
 
Mas que dava cá um jeito, ai isso dava...
 
Contraditório? Talvez. Mas, quantas vezes a ânsia de demonstrar que nos esquecemos nada mais é do que uma tentativa de nos convencermos que é possível?
 
Bonita ilusão. Porque basta um cheiro, uma música, uma cor, um sorriso, para sentirmos que faz parte da nossa própria identidade. Do que vivemos. De quem somos.
 
A música pode ser esta.


sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Podia dar para pior...


 
É verdade que não me vai servir de muito em termos profissionais.
 
É verdade que vou ter menos tempo do pouco tempo que tenho.
 
É verdade que, prestes a alcançar o meio século de vida, poderia utilizar o tempo para poupar a minha pele às rugas que teimam a aparecer e lutar contra os cabelos brancos que vencem sem tréguas os cabelos originais.
 
Mas decidi voltar aos bancos da faculdade. Começo no final deste mês.
 
 
 
Nota - Daqui a um mês o mais certo é eu escrever qualquer coisa do tipo "Ni, devias estar senil quando decidiste tal coisa".
 
 
 
*

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Síndrome da dança anual...




Ou, por outras palavras, dores intensas nos músculos das pernas em virtude de apenas dançar uma vez por ano.
 
Acontece todos os anos no regresso do Congresso dado que após todo o dia em trabalho a noite termina invariavelmente numa discoteca.
 
Ora, como aqui a "je" gosta de dançar e lembrou-se de casar com alguém que não gosta, estão criadas as condições para estar aqui "que nem posso".
 
Uma coisa é certa, depois de ter visto como alguns colegas quarentões e cinquentões dançaram, (deviam pensar que ainda tinham vinte anos mas esqueceram-se que a "barriguinha" cresceu), a esta hora há muitos que estão piores que eu.


E fiquem com um dos temas que mais gargalhadas deu pelas várias tentativas (infrutíferas, diga-se) que foram feitas para dançar em condições...

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

É o que dá um planeamento feito às 3 pancadas...




Plano para os próximos 15 dias:

Domingo de madrugada vou para o Algarve para um Congresso.

Regresso na quarta-feira à noite. Quinta é feriado. Irei ao gabinete na sexta-feira.

Na semana de 5 a 9 de Novembro, todos os dias em formação.

Regresso ao gabinete no dia 15.



Consequência:

Muito trabalho para levar para casa.



Prevenção:

Muita cafeína.


quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Mulher encalhada...


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Este post é em modo "copy past" de um outro que fiz em 2009 mas justifica-se. É que hoje, ao consultar as visitas a este "estaminé", houve uma inundação de visitas à procura de "mulheres encalhadas"?!?!?!?
 
Meus queridos, não precisam de viajar até ao ano 2009. Aqui fica o post (e ainda não encontrei resposta para a questão que então coloquei). e


Adoro o termo "encalhadas". Sei lá....faz-me lembrar o bailado dos barcos ao som sussurrante das ondas... a maresia, o infinito do mar...

Mas para dois autores, "encalhadas" são todas aquelas mulheres que não conseguem arranjar homem. No meu tempo chamavam-se solteironas...

Mas vamos ao que interessa.


Greg Behrend e Liz Tucillo, dois dos guionistas da série ‘O Sexo e a Cidade', escreveram o livro ‘Ele não está assim tão interessado' (Editorial Presença) a "pensar em todas as mulheres ‘encalhadas' em relações que não lhes trazem nada...".


No livro podem encontrar a resposta a uma pergunta que persegue as "encalhadas": "...uma mulher deve caçar ou esperar para ser caçada? Há um equilíbrio entre caçar um homem e trancar-se em casa. Penso que se pode sair, ir a festas, estar com as amigas, falar com os homens e namorar, namorar, namorar. Mas não é preciso ir ao ponto de lhe pedir o telemóvel se vir que ele não está entusiasmado. Ou pensar num plano para dar de caras com ele outra vez. Ele é que deve fazer isso!"
Mas também se encontram algumas pistas que podem ajudar as mulheres a saber se os homens estão verdadeiramente interessados numa relação.

Ora aqui ficam algumas delas:

"É mau sinal se ele...

 
... leva imeeeeenso tempo a ligar-lhe, dias e dias. Isto é uma das tácticas mais antigas para manter a coisa em banho-maria, para não se comprometer demasiado e nunca a fazer sentir como uma prioridade, mas mantê-la engatada;

... só se quer encontrar consigo com mais gente ou só lhe aparece à noite;

... quer manter a coisa demasiado vaga e nem sequer diz que é a sua namorada. Alguém que a ame de verdade vai querer ter a certeza de que você não anda com mais ninguém.


É bom sinal quando...

 
... não tem de falar dele incessantemente às suas amigas;

 
... ele não a faz sentir insegura;

 
... não lhe manda mensagens contraditórias;

 
... não fica obcecada com a relação porque ela corre bem. Sabe o que ele sente, ele é confiável e afectuoso. Fim. Não há drama. Toda a mulher sabe aquilo de que eu estou a falar. Sabemos quando a nossa amiga tem uma relação séria: de repente, não há nada a dizer sobre isso. Ela está simplesmente feliz. E já não passa tanto tempo connosco".
(Fonte:Catarina Fonseca/Activa/26 de Junho de 2009)

Muito bem meninas, agora é só desencalhar...

Já agora, alguém me sabe dizer que nome se dá aos homens que não arranjam mulheres? Encalhados?

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O que a vida me ensinou...



 
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O tempo é apenas o que fazemos dele.

 

Quando temos dez anos parece que o tempo dura uma eternidade e começamos a imaginar as formas de colocar o relógio no futuro dos nossos dezoito anos.

  
Fazemos os dezoito anos e queremos parar o tempo mas ele galga com tal impetuosidade que nem conseguimos reter, por meros segundos que sejam, aqueles momentos especiais.


E depois? Bom,


A esperança é moribunda quando a espera é apenas uma espera!


A espera é sempre longa...


O silêncio é desgastante quando se espera por algo que não se sabe se voltará.


O dia é infindável quando se aguarda um olá.


E o tempo demora ...a hora passa a ter mais de sessenta minutos. Uma eternidade para pensar.


Para pensar naqueles momentos que o tempo nos dá.



Aqueles que queremos reter para sempre.


Aqueles momentos em que nos sentimos únicos e queridos...


Aqueles momentos em que nada nos derrotará porque sabemos que não estamos só!


Aqueles momentos em que nos sentimos imortais!


Aqueles momentos que queremos segurar no tempo...para sempre!  Mas que, paradoxalmente, são os mais rápidos a desaparecer no tempo...


E fiquem com mais um tema dos meus "Top10".



terça-feira, 23 de outubro de 2012

A vida mata o amor?



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No " longínquo" ano de 2008, (acreditem, para mim, parece que passaram anos e anos...), fiz um post a propósito de um texto do Miguel Esteves Cardoso, versus um pensamento de Óscar Wilde.
 
Hoje, "repesco" o tema. Porque podemos tentar "fugir" da vida mas ela teima em vir até nós.
 

Bom, relembremos o pensamento de Óscar Wilde:
 
 
"Devia-se estar sempre apaixonado.
É a razão pela qual nunca nos devíamos casar."


Eis uma afirmação que nos obriga a reflectir. É óbvio que para quem nunca casou, ou se casou há pouco tempo, ou, ainda, para quem tem um casamento durante o qual ainda não tenha ocorrido uma “crise”, obviamente responderá que não está de acordo.

Mas a resposta será assim tão linear?

Será que é possível duas pessoas estarem casados 10, 20, 30 anos e mais e manter acesa a paixão? E o amor? E a amizade?

Admitindo que com o tempo a paixão se vai desvanecendo, será que fica o amor? Mas o que é isso do "amor"? Uma forma mais complexa que a amizade? Mas se nem os grandes poetas chegam a acordo quanto a uma definição de amor, não serei eu a descobrir a resposta a uma pergunta milenar.

Mais a mais, acredito que uma relação a dois como é o casamento é envolvida durante o seu percurso por vários sentimentos que podem não ser cumulativos num mesmo período.
 
Numa fase podemos olhar para a(o) outra(o) e dizer: "caramba, gosto mesmo dela(e)". Noutra? Qualquer coisa parecido como isto: "como é que me fui casar com uma pessoa como ela(e). Não podia estar boa(m) da cabeça".
 
Quiçá, o ser humano é um ser complicado ou, simplesmente, a vida mata o amor.

Deixo-vos, como ponto de reflexão, o texto de Miguel Esteves Cardoso:

“ Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões.

O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.

Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. (...)"

 

A música? Uma das minhas "top 10".
 

 

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