Coloco a notícia na íntegra e, confesso, tenho enormes dificuldades em comentar uma notícia destas.
Porque se é isto a sociedade do século XXI, pouco nos separa da Idade Média.
Não quero acreditar que médicos tenham actuado desta forma. Segundo a notícia o director do hospital negou mas, e nas palavras do diretor da missão dos Médicos do Mundo na Grécia, "todas as pessoas que passaram para baixo da linha de pobreza, todos os que devem algum imposto para às Finanças, mesmo que seja uma multa de trânsito, todos aqueles desempregados por mais de um ano e todos os que deixaram de pagar os seus seguros de saúde recentemente".
Questiono-me se não andam a destruir aos poucos os Códigos Deontológicos e os Códigos de Ética existentes.
"Um hospital de Atenas, na Grécia, terá ameaçado ficar com um
bebé, quando a mãe disse que não tinha possibilidade de pagar os 1200 euros de
custo da cesariana. Segundo as recentes políticas de austeridade, o Estado só
paga despesas médicas de pessoas com emprego e contribuintes regulares.
| foto Leonel de Castro/Global Imagens |
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No caso dos desempregados, como é caso desta mãe, o Estado com assegura as
despesas de saúde se todos os impostos estiverem em dia. Além disso, todos os
casos considerados não urgentes não têm direito a serviços de saúde
gratuitos.
Segundo a BBC, a mulher que acusou o hospital (e que pediu para não ser
identificada), vive numa barraca degradada em Loutsa, cidade litoral, a cerca de
uma hora de distância da capital grega.
Nessa barraca ta,bém vivem o marido, mais um filho, o pai, a mãe e o irmão. O
único rendimento desta família provém dos trabalhos de limpezas domésticas que a
mãe faz.
Antes da crise, todos tinham emprego. Depois da crise, todos o perderam.
Agora, devem várias mensalidades de renda e já sofreram ameaça de despejo. A
jovem mãe diz que nem dinheiro tem para as vacinas do bebé.
Os 1200 euros da cesariana foram, entretanto, "perdoados", graças à
intervenção de uma médica que apelou à direção do hospital, considerando a grave
situação económica da paciente.
Contudo, Nikos Faldamis, diretor do hospital negou, segundo a BBC, ter
ameaçado reter o bebé da paciente, tendo, em vez disso, proposto o pagamento
fracionado da despesa.
Cerca de 25% dos gregos sem cobertura médica
Segundo a organização não governamental Médicos do Mundo, 25% da população
grega não tem direito a qualquer tipo de assistência médica paga pelo Estado.
Nikitas Kanakis, diretor da missão dos Médicos do Mundo na Grécia, justifica,
citado pela BBC, este valor com base em "todas as pessoas que passaram para
baixo da linha de pobreza, todos os que devem algum imposto para às Finanças,
mesmo que seja uma multa de trânsito, todos aqueles desempregados por mais de um
ano e todos os que deixaram de pagar os seus seguros de saúde recentemente".
(notícia de Cláudia Luís publicada no
JN online)