Que no meu País, alegadamente evoluído, existam crianças a passar fome.
Quando ontem uma das minhas ex-formandas me manda uma mensagem a perguntar se eu conseguia arranjar leite para a bebé de 10 meses, a minha vontade era ter um desses tecnocratas à minha frente e espetar-lhe dois valentes estalos.
Mas como isso não é possível, lá estive toda a noite a pensar como poderia ajudar esta família. A lata de leite é o menos. Já está arranjada. Mas tenho que fazer mais qualquer coisa ou não fico bem comigo própria.
Troca de mensagens entre a "je" e a aniversariante:
Eu - Filhota transferi dinheiro para a tua conta para comprares uma prenda para ti.
Filhota (mais velha) - Obrigado mãe. Com este dinheiro vou levar o Trash ao veterinário levar a vacina contra a raiva que já devia ter levado no mês passado.
Eu - E na volta é melhor eu levar também uma vacina contra a raiva...ao cão. O dinheiro é para comprares uma prenda para ti. Não é para o cão.
Filhota - Oh mãe, mas ele precisa mais do que eu. A mim não me falta nada.
Andei eu a pregar todo o ano que a minha filhota ia fazer 23 anos quando só faz 22 anos.
E não se atrevam a dizer que são consequências da idade até porque sei dizer exactamente o ano, o dia e a hora em que ela nasceu: 12 de Dezembro de 1989, pelas 9.27 horas. Faz hoje 22 anos e é o primeiro ano em que não a tenho junto a mim para lhe dar um beijo.
Ainda não será tempo para balanços anuais, mas um resumo pode ser, desde já, adiantado.
Este ano foi, acima de tudo, um ano de crescimento. Sou daquelas pessoas que penso que tudo o que nos corre mal na vida pode ser uma óptima lição de vida se estivermos com disposição de estar sempre a aprender.
Comecei o ano num novo local de trabalho. Logo no segundo dia do ano deixei de fazer o que mais gostava de fazer dentro da minha área de trabalho: o direito. Desde que trabalho na empresa, e já vão 25 anos de trabalho, sempre gostei de criar e de inovar. Daí que nos últimos anos senti-me um verdadeiro "peixe" pois nadava nas minhas águas. Mas se é verdade que as minhas novas funções não se enquadram na matéria que mais gosto, não é menos verdade que a mudança me obrigou a estudar novas matérias e a alargar a minha área de conhecimento. E este facto ajuda-me a superar a profunda desmotivação que me assola desde o ano passado.
A meio do ano um grande desafio pessoal: ter que superar um tumor. E encarei este desafio como encaro tudo: é para lutar? Vamos lá que se faz tarde. Três meses de luta após os quais a resposta chegou: estava pronta para outra.
Na entrada do último trimestre a constatação de que existem pessoas que não conseguem cumprir o que prometem. Mas eu sou teimosa e continuo à espera.
Algumas pessoas têm-me deixado ao longo da caminhada. Mas outras têm-se juntado.
Balanço deste ano? Bom, a vida pode colocar-me as pedras que bem entender no meu caminho, mas vai ter que se empenhar se quiser que eu fique soterrada...
E vá lá...não fiquem aborrecidos pela música que escolhi mas hoje só me apetece ouvir isto. (Experimentem fazer limpezas e dançar esta música ao mesmo tempo. Garanto que perdem umas gramas valentes).
Mãe, a tomar banho, a berrar da casa-de-banho - Filhota, empresta-me o teu champô se faz favor.
Filhota, , a berrar do quarto - Não.
Mãe, a tomar banho, a berrar da casa-de-banho - Essa agora, não porquê?
Filhota, a falar docilmente depois de abrir a porta da banheira - Não te lembras que no outro dia o meu champô acabou e eu vim pedir o teu e tu disseste que não emprestavas porque eu tinha que aprender a ser responsável e quando visse que o champô estivesse a acabar te devia avisar com antecedência para comprares? E quando eu disse que não estava certo, tu respondeste: regras são regras. Portanto, minha querida mãe, lava com sabonete que foi o que eu fiz.
E é graças às regras que o meu cabelo hoje mais parece uma vassoura mal amanhada...
Moral da história: pensar duas vezes antes de ditar regras lá em casa...
"A vida me ensinou a dizer adeus às pessoas que amo,
sem tirá-las do meu coração;
Sorrir às pessoas que não gostam de mim,
Para mostrá-las que sou diferente do que elas pensam;
Fazer de conta que tudo está bem
quando isso não é verdade,
para que eu possa acreditar que tudo vai mudar..."
Charles Chaplin
As coincidências da vida fizeram com que perdesse as duas pessoas que me amaram incondicionalmente: a minha avó e o meu pai. Ambas partiram num dia 7 de Dezembro qualquer....
E é neste dia, como nos outros dias, que vou buscar aos recônditos da memória os abraços sentidos, os sorrisos cúmplices, os olhares tristes quando eu fazia algo de mal, os olhares orgulhosos quando ultrapassava um obstáculo, os cheiros dos corpos quando se aproximavam para me aconchegar e que diziam que eu não estava só.
É neste dia, como nos outros dias, que sei que a melhor homenagem que lhes posso fazer é nunca ser desleal e manter intacta a minha honestidade intelectual porque me ensinaram que os verdadeiros homens medem-se pela verticalidade com que estão na vida e não pelos bens que têm. É dizer "não...porque" (porque me ensinaram que um "não" tem sempre que ter uma razão, ao contrário do sim).
E é neste dia, como nos outros dias, com um sorriso sereno, que me recordo de todos aqueles que passaram pela minha vida e fizeram a mulher que hoje sou. Os amigos que partiram, os amigos que perdi, os amigos que tenho.
A propósito de uma conversa tida esta manhã, (pelo título apercebem-se que as pessoas decidem ter as melhores conversas comigo quando ainda estou com uma valente carga de sono), fui "transportada" a este post escrito pelo meu amigo Francisco.
Passados alguns anos a minha opinião mantém-se.
Ao longo da minha vida sempre tive mais amigos do sexo masculino do que feminino.
Não considero que a amizade seja um empecilho para o sexo mas, para mim, dificilmente seria suficiente.
Para mim torna-se necessário algo mais do que a amizade para uma relação dessa natureza. E não se trata, creio eu, de ser uma "cota", ou antiquada. Também não penso que se trate de uma questão de educação. Trata-se de uma postura de vida, apesar de ter consciência que hoje em dia, de uma maneira geral, as pessoas não têm uma postura tão rígida quanto a minha.
Não sei se esta minha postura resulta do facto de sempre ter assumido o sexo como algo demasiado importante, (e bom, já agora), para ser banalizado. Quiçá, resulte de eu concordar com o pensamento de Jonathan Swift:
"No homem, o desejo gera o amor. Na mulher, o amor gera o desejo."
Agora, uma coisa é a minha opinião e a minha forma de estar na vida. Outra coisa é criticar quem pensa de forma diferente. Mas vou criticar o quê? O facto de alguém não concordar comigo? O facto de alguém ver a vida de forma diferente? Mas que legitimidade tenho eu de criticar?
Cada pessoa vê e viva a vida da forma que melhor entenda. O único limite é a liberdade do outro. Porque é aí que termina a nossa própria liberdade.
Como elemento mais velho do grupo presente no jantar de ontem, deveria fazer um post digno desse nome sobre o evento. Mas depois de ler os relatos do Puzz (o desgraçado que, mais uma vez, me teve que aturar), da S* e do Gonçalo, vou dizer o quê?
Posso apenas acrescentar que tinha razão quando disse que ia ser divertido e, acima de tudo, gratificante conhecer novas pessoas e novas formas de pensar.
Fico à espera do próximo...
Nota - Ao contrário do que afirmam as "más-línguas" não fui eu quem deu mais gargalhadas. Penso eu de que...
Das memórias de infância mais gratas que tenho é de passear de mão dada com o meu pai nas praias de Vila do Conde e da Póvoa de Varzim.
Enquanto a minha mãe e as minhas irmãs se "espraiavam ao sol", eu e o meu pai acompanhávamos com um fascínio indescritível a chegada dos "homens do mar".
Recordo-me do meu pai dizer que era das profissões mais duras e perigosas do mundo.
Recordo-me das mãos calejadas e dos vincos da rugas nos rostos.
Recordo-me da dança dos peixes nas redes ao som das ondas que beijavam a areia.
Recordo-me das saias das varinas e dos seus xailes negros, alguns deles seguros no largo travessão preto que segurava a rede enrolada nos cabelos.
Recordo-me do odor. O odor a peixe fresco misturado com o cheiro a maresia.
Recordo-me das cordas que puxavam o barco para porto seguro.
Recordo-me das ladaínhas, das quais nada entendia, que terminava sempre com a venda de um cesto de peixe.
Recordo-me da dor da espera pela boa-nova que quase sempre terminava em desgraça.
Recordo-me de ter sido nessa altura que ganhei um respeito enorme por estes homens.
Talvez por todas estas recordações não consegui parar as lágrimas de alegria por saber que eles tinham regressado a casa.