Melancólica, triste....como o tempo!
E para estar toda a manhã a ouvir Roberto Carlos, então estou mesmo mal.
Porquê é que estou assim?
Sei lá.
Será que é pelo facto da minha filha amanhã fazer 19 anos e eu ter consciência que estou a envelhecer?


Hoje pode ler-se no Expresso on-line:
"Depois de um beijo apaixonado com o namorado uma jovem chinesa perdeu a audição do ouvido esquerdo. A notícia é avançada pelo jornal "Shangai Daily".
O casal em causa diz que ouviu um estalo durante o momento e que logo a seguir a rapariga deixou de ouvir. Assustados ainda esperaram uma hora antes de irem ao hospital.
Os médicos dizem que não é comum, mas um beijo forte pode causar desequilíbrio na pressão de ar entre os ouvidos e levar a uma perda de audição.
Agora segue-se um tratamento de dois meses para recuperar a audição."
Beijo forte? Hummm, estou a ver que sou uma rapariga com sorte.
É que, na parte que me diz respeito, posso continuar a beijar forte e feio porque já sou surda do ouvido esquerdo e o direito para lá caminha.
Já agora, segundo o mesmo jornal, 2009 será o ano dos divórcios.


Li pela primeira vez Alçada Baptista em 1982 quando tive que preparar o exame de cultura geral para ingresso na Faculdade.
Recordo-me, então, que o exame tinha apenas uma questão: “A leitura é a luz dos ignorantes. Comente”.
Ao contrário do que parece, foi fácil responder a esta questão. Talvez por isso, a minha melhor nota enquanto estudante: 19 valores.
E foi fácil, porque António Alçada Baptista, através da sua narrativa, fazia uma viagem pelas preocupações do interior do ser humano que cativava. O que mais ressaltava na sua obra era a mulher e o mundo dos afectos.
Não estarei muito longe da verdade se disser que o meu interesse pelo mundo dos afectos cresceu a partir do momento em que li Alçada Baptista.
Morreu hoje, mas os seus ensaios, crónicas e romances estão aí, como prova de que foi, e continuará a ser uma referência na vida cívica e cultural portuguesa.
E aqui fica um dos seus pensamentos:
"É muito difícil abarcar um universo onde as nossas rotinas andam misturadas com os nossos sonhos e com a tal harmonia do mundo onde espero esteja prevista a nossa alegria."
"Porque nos conhecemos? Por que o acaso o quis? Foi porque através da distância, sem dúvida, como dois rios que correm a unir-se, nossas inclinações particulares nos impeliram um para o outro"
Gosto desta frase. Adoptei-a como minha...


