mas o amor faz-nos cometer os mais ridículos. François La Rochefoucauld
Não vou perguntar se já cometeram algum erro por paixão ou por amor. É algo redutor e não tem piada nenhuma falarmos somente nos erros que cometemos.
Vamos alterar um pouco a frase do François que ele de certeza que não leva a mal e vamos confessar as coisas mais doidas que fizemos por paixão ou por amor.
Se pensarmos um pouco chegamos à conclusão que passamos mais tempo com quem trabalhámos do que com as nossas famílias.
Por exemplo, no meu caso, passo cerca de 12 horas no meu local de trabalho. Se tirarmos as horas normais de sono, estarei cerca de 3 horas por dia com a minha família.
Não será, pois, de estranhar que se criem afectos entre as pessoas.
Mas deixemo-nos de retóricas até porque estou com 3 horas de sono...
Vamos lá desbobinar...
Alguma vez apaixonaram-se por algum(a) colega de trabalho?
Quem tomou a iniciativa?
Antes que me perguntem, eu antecipo-me:
Nunca me apaixonei por um colega de trabalho mas havia um em particular que conseguia arrancar de mim o que de pior eu tenho. Enervava-me só de olhar para ele. Vá-se lá saber como, cinco meses depois de mais uma célebre discussão...estava casada com ele. E, 22 anos depois, continuo.
Pelo menos é a opinião de Honoré de Balzac ao afirmar:
"É mais fácil ser amante do que marido, pois é mais fácil dizer coisas bonitas de vez em quando do que ser espirituoso dias e anos a fio.."
Meu querido Honoré, não sei que tipo de mulheres conheceste mas presumo que só tenhas conhecido mulheres que não faziam nenhum.
As mulheres não querem um homem que todos os dias esteja espirituoso e lhes diga "coisas bonitas". As mulheres querem um companheiro que saiba partilhar o bom e o mau.
Querem um companheiro que as respeite.
Tão simples quanto isto.
E a grande maioria das mulheres que não consegue encontrar no companheiro a partilha, não optam por ter um amante. Ou separam-se ou, as que optam por manter o casamento ,direccionam os seus afectos para outras áreas como os filhos, a profissão ou uma actividade que, de alguma forma, as complete. Verdade seja dita que esta última opção não será a melhor mas, desde que consciente, há que respeitar.
Acredito que seja mais fácil ser amante que marido. Deve ser na mesma proporção em que será mais fácil ser amante do que mulher. Mas não pelos motivos que invocas meu querido Honoré...
Conforme prometi ao VCosta, volto ao tema para dar a minha opinião.
Conforme devem estar recordados o que estava em discussão era a seguinte frase:
"Você pode amar muito uma pessoa e ir para a cama com outra"
A frase, fora do contexto em que li, poderia ter diversas interpretações e isso provou-se com os comentários díspares que foram aparecendo.
Dentro do contexto o que estava em causa era aquilo a que muitos denominam "infidelidade mental ou emocional".
Penso que, tal como a infidelidade física, é possível ser-se infiel mental ou emocionalmente.
Penso, igualmente, que pode ser uma forma de infidelidade bem mais complicada que a física porque testa a nossa capacidade, enquanto seres humanos, de saber até onde ir sem ultrapassar o limbo que separa da infidelidade física.
Hoje vou contar uma história. Mas uma verdadeira. Daquelas histórias que, apesar do cinismo do dia-a-dia, ainda têm o condão de nos fazer acreditar em finais felizes.
Era uma vez um homem e uma mulher. Ele com um curso superior. Ela com o 9º ano. Ambos eram casados. Começaram a trabalhar juntos e...apaixonaram-se.
Mas há vinte anos atràs os valores e preconceitos existentes não auguravam nada de bom a tal relação. Ambos eram casados. Não tinham o mesmo estatuto social (seja lá o que as pessoas entendam por tal parvoíce). E ela era mais velha que ele. Eram apenas seis anos de diferença mas o suficiente para serem objecto do escárnio e mal-dizer.
Recordo-me, então, da segregação a que foram votados. Das costas que se voltaram à sua passagem. Dos "amigos" que se afastaram.
Mas, mesmo assim, decidiram lutar por aquilo que sentiam.
Na altura mereceram o meu respeito por lutarem em algo que acreditavam.
Hoje, passados vinte anos, continuam juntos.
Hoje, quando fumava, assisti ao olhar amoroso que ambos trocaram.
Vinte anos depois continuam apaixonados e, para além do meu respeito, conquistaram a minha admiração!
Já aqui se falou de amor, amizade, paixão, infidelidade, ciúme....mas nunca se falou de sexo como tema principal, sabendo nós que em matéria de sentimentos e afectos o sexo ocupa uma parte importante nas nossas vidas (ou deveria fazer).
Alguém afirmou:
"Você pode amar muito uma pessoa e ir para a cama com outra"
Concordam com esta frase? Já o fizeram? Se o fizeram, foi pelo sexo apenas? Vamos lá às confissões que se aproxima o fim-de-semana.
Adenda: Porque os comentários até ao momento têm sugerido uma interpretação que não é a que a frase representa no contexto em que foi retirada, esclareço que a mesma deve ser entendida como o VCosta referiu no seu comentário, isto é: quando se ama alguém que não o(a) parceiro(a).
"Devia-se estar sempre apaixonado. É a razão pela qual nunca nos devíamos casar."
Óscar Wilde
Eis uma afirmação que nos obriga a reflectir. É óbvio que para quem nunca casou, ou se casou há pouco tempo, ou, ainda, para quem tem um casamento durante o qual ainda não tenha ocorrido uma “crise”, obviamente responderá que não está de acordo.
Mas a resposta será assim tão linear?
Será que é possível duas pessoas estarem casados 10, 20, 30 anos e mais e manter acesa a paixão? E o amor? E a amizade?
Admitindo que com o tempo a paixão se vai desvanecendo, será que fica o amor? Mas o que é isso do amor?
Será que fica apenas a amizade?
Sinceramente não tenho resposta pela simples razão que um casamento, durante o seu percurso, é envolvido por todos os sentimentos.
Isto é, creio que ao longo do casamento os parceiros sentem um conjunto de sentimentos que podem não ser cumulativos num mesmo período. Numa fase podemos sentir paixão, numa outra amor (seja lá o que isto representa), numa outra podemos sentir apenas amizade ou mesmo enfado e questionarmos se não estamos a perder tempo.
Quiçá, o ser humano é um ser complicado e com tendência para confundir sentimentos.
Mas o tema de hoje não é o amor (pelo menos directamente). Hoje vamos falar de uma instituição que dá pelo nome de casamento.
Em conversa com um colega que é casado há 28 anos, chegámos à conclusão que estar casado mais do que 10-15 anos é um verdadeiro estigma. Penso que não haverá nenhuma família que não tenha passado por um processo de divórcio. Ao longo de quase 20 anos desencadeei mais de uma centena de divórcios. Eu própria estou a “conviver” com um processo de divórcio algo complicado na minha família directa.
Mas, a verdade, é que os divórcios tiveram um aumento exponencial nos últimos cinco anos. E, segundo as estatísticas, a maioria ocorre em casamentos que duram 10-12 anos.
Será que se pode atribuir a “culpa” ao facilitismo? É que, hoje em dia, o divórcio “está à distância de um clic”.
Também, mas não só!
Para mim, mais importante que o facilitismo com que hoje em dia é possível fazer um divórcio, é a forma com que um casal encara o próprio casamento.
Eu explico:
Um casamento, legalmente falando, é um simples contrato. Com direitos e obrigações para ambas as partes. Mas as pessoas casavam a pensar no contrato? Excepcionando aqueles que casavam por interesse, a maioria não estava a imaginar que estava a celebrar um simples contrato civil que depende da livre vontade das partes.
Então, porque casavam?
Até meados dos anos 80 as pessoas apaixonavam-se e casavam-se. Objectivo: construir e partilhar uma vida em comum. Se bem que para a maioria das mulheres subsistisse um ideal romântico no casamento (não esquecendo a parte religiosa que ainda tinha alguma importância na altura), a verdade é que ambos partiam para o casamento com expectativas realistas. Sabiam que tinham que trabalhar para construir um projecto a dois. Mais, ainda, ingressavam cedo no mercado de trabalho. Tornavam-se independentes da família nuclear com 20-25 anos e, consequentemente, casavam-se cedo.
E hoje? Os objectivos são os mesmos? O casamento é encarado da mesma forma? Penso que não.
Vejamos:
Cada vez mais, os jovens têm dificuldades em iniciar uma vida independente. Estudam até tarde, têm dificuldade em ingressar no mercado de trabalho e é perfeitamente “normal” assistirmos a pessoas de 30 anos e mais a viverem dependentes dos pais.
Esta dependência económica tem efeitos nefastos porque os jovens começam a criar, inconscientemente, uma dependência emocional. Quando finalmente casam não estão preparados para as dificuldades que um casamento acarreta. Afinal, sempre que tinham uma dificuldade tinham o “amparo” da família nuclear ou dos amigos também eles com o mesmo tipo de experiência.
Também não será alheio o facto de a mulher hoje em dia ter ocupado na sociedade o lugar a que sempre tinha direito e, verdade seja dita, não aceita com passividade o que outras aceitaram em tempos idos. Porque tem outro tipo de educação e postura e, não menos importante, porque a maioria mantém já uma independência económica em relação ao parceiro.
Tudo isto é verdade. Mas não serão as únicas razões.
Sob pena de me chamarem de cínica, muitos dos jovens não vêem o casamento como um projecto a dois.
Parece-me que, pelo contrário, associam o termo “casamento” não a um contrato, não a um projecto a dois mas….a uma festa de arromba e a uma boa lua-de-mel. Começam a tratar da "festa" com um ano, ano e meio de antecedência. Primeiro marca-se a "quinta", a florista, o fogo de artifício e a banda que vai tocar. E, como os pais geralmente pagam o casamento, é uma boa forma de juntar uma bela maquia para comprar um carro melhor. Nas vésperas pedem ao padre ou ao conservador e ficam aborrecidos quando estes dizem que estão ocupados.
Vamos ser claros. Hoje em dia a maioria das pessoas casa tendo presente que se não der certo existe sempre o divórcio. Assim, à primeira dificuldade, não se luta. Pede-se o divórcio.
E com isso dão a ganhar às inúmeras empresas criadas para fazerem festas de arromba para comemorar o.... divórcio!
Tema complicado? Penso que não. Ou se aceita...ou não. Tão simples quanto isto.
Henry Mencker, afirmou:
"O adultério é a aplicação dos princípios democráticos ao amor"
Até pode ser uma verdade mas, então, toda a minha formação de democrata cai por terra porque não concebo o adultério.
Liberdade para mim tem como significado poder optar, poder escolher.
Se uma pessoa não se sente bem numa relação tem duas opções: luta pela relação ou opta por terminar e viver a vida da forma que entende.
Para mim, a aplicação dos princípios democráticos ao amor reside, apenas e tão só, à individualidade de cada um numa relação e à escolha que podemos e devemos fazer quando a relação pouco ou nada nos diz.
Chamem-me velha do restelo. Eu responderei: sou apenas um ser humano que não concebe qualquer relação com reserva mental.
"O difícil não é lutar por aquilo que se quer, e sim desistir daquilo que se mais ama. Eu desisti. Mas não pense que foi por não ter coragem de lutar, e sim por não ter mais condições de sofrer"
Já vos aconteceu desistir de um amor?
Porquê?
Por falta de coragem de lutar ou porque não queriam sofrer mais?
A Abobrinha, a propósito do dia dos namorados lançou um desafio que consistia em escrever uma quadra que fizesse corar quem inventou o dia dos namorados.
O objectivo foi amplamente ultrapassado. Os participantes demonstraram todo o sentido de humor típico de um bom português.
Copiando a ideia (qualquer dia a Abobrinha coloca-me um processo por plágio), vou lançar um desafio mas com um objectivo diferente. Será que cada um de nós é um verdadeiro Poeta e consegue escrever frases únicas que demonstrem os nossos sentimentos?
Platão afirmou:
“Não há ninguém, mesmo sem cultura,
que não se torne poeta
quando o Amor toma conta dele”
Devo confessar que em 44 anos nunca me escreveram uma carta de amor e/ou um poema. Acredito que devo ser das poucas mulheres da minha geração a quem isto aconteceu.
Mas, na verdade, o ser humano não se atreve a dizer o que sente. Seja por timidez ou porque o mundo dos afectos é tão complicado que muitas vezes somos incapazes de nos expressar.
Daí o desafio.
Toca a perder a timidez e escrevam aqui um poema ou uma quadra que gostariam de escrever à pessoa que amam. Se não amam, inventem...
Mas, desta vez, o caso parece sério. Não é o meu. Que eu cá não tenho caso nenhum. Mas de um colega que confessava a outro andar a enganar a mulher com uma mulher "toda giraça".
Dizia ele todo vaidoso: "Eh pá, eu até amo a minha mulher, mas sabes como é, a gaja é boa...".
Ainda bem, pensei eu para os meus botões (ou melhor, para o fecho porque hoje venho de vestido mas isso agora não interessa nada), que a gaja é boa porque o "fala-barato" de bom não tem nada.
Tenho a minha forma de estar na vida, os meus valores e os meus princípios. Mas tenho, sobretudo, duas máximas: não julgar os outros pelos meus próprios padrões e nunca afirmar que "desta água não beberei". Como consequência desta postura, não sou pessoa de criticar as opções da vida íntima de cada um.
Mas não gosto de "fanfarrões" que se vangloriam das conquistas. Mais a mais porque metade do que dizem quase sempre cai no exagero.
Mas este episódio fez-me recordar a frase de Marcel Proust:
" A mulher que amamos só poucas vezes satisfaz as nossas necessidades, pelo que lhe somos infiéis com a mulher que não amamos."
“A primeira vez que o Mário conheceu Diana ficou irreconhecível. Suou, sentiu um friozinho no estômago, borboletas na barriga, e ainda por cima, os batimentos cardíacos aceleraram...
O professor da Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho, João Bessa, associa estas reacções à noção de paixão: "É um sentimento mais ligado a emoções básicas, enquanto o amor é um conceito mais vasto que engloba a formação de laços afectivos ".
A manifestação de emoções exteriores, como as referidas em cima, está associada à actuação do sistema nervoso autónomo.
"É a sua dimensão emocional, involuntária e não controlada que gera alterações físicas como o aumento do ritmo cardíaco, ou da tensão arterial; a pele fria e suada".
Junte-se a dimensão cognitiva e podemos ter uma explicação: "Quando nos apaixonamos, o pensamento gira à volta do objecto do nosso interesse. No entanto, quando este tipo de pensamento se torna patológico, entramos no domínio das obsessões".
João Bessa explica ainda que "a reactividade emocional varia de pessoa para pessoa e tem a ver com múltiplas características: a personalidade, o desenvolvimento pessoal e físico, o enquadramento familiar, social e laboral".
A verdade é que as emoções são importantes "mecanismos de adaptação e mesmo de sobrevivência", havendo uma função biológica "associada a esta necessidade de ligação aos outros".
O professor universitário descansa os leitores: "Não há nenhum mecanismo para controlar estas emoções, que são involuntárias.
Não podemos fazer nada contra isso". João Bessa acrescenta ainda que "há pessoas com maior sensibilidade para as alterações corporais induzidas pelas emoções do que outras que têm menor capacidade para interpretar as suas emoções".
Um friozinho no estômago como reacção nervosa
A sensação é no mínimo estranha. Parece que o nosso estômago está "possuído" por borboletas, segundo uns. Ou é atravessado por um "friozinho". Há uma explicação física do organismo para explicar esse estado.
Resulta da "activação do componente simpático do sistema nervoso autónomo no sistema digestivo que provoca estas sensações, ao qual se contrapõe o sistema parassimpático que tem acções contrárias", explica ainda João Bessa.
Sabia que... Humor empurra paixão
Se está sempre bem-disposto fique a saber que a sua capacidade para se apaixonar pode ser maior do que aqueles leitores com uma disposição mais depressiva.
"Uma tonalidade do humor mais depressiva ou mais eufórica pode ser importante na criação de um relacionamento", diz o professor universitário João Bessa. Por isso, às vezes, as primeiras impressões podem não ser as mais verdadeiras.
A caminho de uma explicação biológica está a noção de mono e de poligamia. "Estudos neurobiológicos recentes têm implicado a expressão de duas hormonas em diferentes regiões cerebrais na formação de relações afectivas estáveis e duradouras."
Sabia que... Um arrepio na pele
"Dás-me um arrepio na pele" é uma das mais famosas frases de um das mais conhecidas canções de Marco Paulo. "Taras e Manias", o tema em acusa, à parte, esta reacção volta a ter o sistema nervoso autónomo como responsável.
Mas quem está à espera de controlar ou treinar este tipo de emoções tire o cavalinho da chuva, explica o professor de Ciências da Saúde.
"Em princípio, não podemos treinar o sistema nervoso autónomo, mas há pessoas, por exemplo, que conseguem enganar os polígrafos. Mas isto exige um treino especializado porque é muito difícil enganar o sistema nervoso autónomo"."
(In Edição on line do Jornal de Notícias)
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Recebi por mail este texto e não resisti a colocar no blogue dado que fala dos afectos que os sentidos transmitem.
"Não sei quantas frases poderiam ser necessárias para desvendar os mistérios desses dois encantos.Talvez que todas as palavras não sejam suficientes.
Quando o olhar se acompanha do sorriso, há de se imaginar a atmosfera agradável à beleza e a alegria no contentamento, pois juntos, o olhar e o sorriso, fica plausível se imaginar o desfecho, quando a química se desenvolve, se expandindo em direcção a outro olhar com sorriso.
Nesse caso, as energias se atraem, dando chance ao nascer do sentimento que acalenta a vida.
Sorriso triste acompanhado de olhar que traduza resignação; olhar frio, parado, seguido de mordida nos lábios... O que pode se aperceber por trás dessa cortina cinzenta?! Desamor, aflição,derrota...Ódio - a antítese do primeiro.
É.
Mas olhar e sorriso são fiéis no conteúdo: Um não desmente o outro. O sorriso nunca pode ser sarcástico quando o olhar disser que ama e nem olhar pode estar apaixonado se não se acompanhar de sorriso franco."